Padrasto das três crianças mortas em incêndio em Paraty é preso como autor do crime

Homem tinha o objetivo de culpar o menino mais novo de ter iniciado as chamas

Por Jenifer Alves*

Da esquerda para a direita, Marya Clara, Cauã e Marya Alice. Eles foram enterrados ontem no Cemitério de Paraty. Mãe segue em estado grave
Da esquerda para a direita, Marya Clara, Cauã e Marya Alice. Eles foram enterrados ontem no Cemitério de Paraty. Mãe segue em estado grave -
Rio - O padrasto das crianças que morreram no incêndio de um casarão em Paraty, na manhã desta sexta-feira, queria se livrar dos menores para viver sozinho com a companheira. A informação é do titular da 167ª DP (Paraty), o delegado Marcelo Russo. O suspeito foi preso horas depois do crime.
As investigações passaram a apontar o padrasto das vítimas como responsável pelo incêndio, após o laudo da perícia descartar que as chamas começaram por acidente. Sete testemunhas foram ouvidas, incluindo a babá das crianças, uma das avós e vizinhos.
"Ouvimos o depoimento dele, que apresenta várias contradições. Ele tinha alguns problemas com drogas, além de não admitir que não gostava das crianças, dizia que davam muito trabalho. Foi por conta de ciúme cometeu esse crime", explicou o delegado, dizendo que o homem colocou fogo em colchão atrás da porta, trancou a mulher no banheiro e as crianças em outro cômodo para dificultar a fuga delas.
As vítimas Marya Alice de Almeida Santos da Conceição, de 4 anos, Cauã de Almeida Santos da Conceição, 5, e Marya Clara de Almeida Santos, 7, chegaram a ser socorridos por vizinhos, mas não resistiram. 
A mãe deles, Dara de Almeida Santos de Souza, 25, segue internada em estado grave no Hospital Municipal de Praia Brava. Ela precisou ser entubada por ter inalado muita fumaça.

Galeria de Fotos

Da esquerda para a direita: Marya Clara, Cauã e Marya Alice Arquivo Pessoal - Reprodução G1
Chamas atingiram imóvel de dois andares Reprodução / Internet
Chamas atingiram imóvel de dois andares Reprodução / Internet
Chamas atingiram imóvel de dois andares, na Ilha das Cobras Reprodução / Internet
Chamas atingiram imóvel de dois andares Reprodução / Internet
De acordo com as investigações, o objetivo do homem era viver apenas com a companheira. Ele criaria a história de que Cauã colocou fogo nos colchões do quarto, por ser um menino muito levado.
"Ele contou essa história do menino ser responsável por um incêndio dois dias antes do ocorrido, como se fosse uma premonição. Ou seja, ele já estava agindo de maneira premeditada para cometer esse crime horrível", destacou.
O homem irá responder pela autoria dos três homicídios, que foram qualificados por emprego de fogo e majorados pelo fato das vítimas fatais serem menores de 14 anos. Além disso, ele também responderá pela tentativa de feminicídio contra a companheira que está internada, bem como pelo crime de incêndio em local habitado. Todas as penas juntas somam mais de 100 anos de prisão.
As crianças foram enterradas na manhã desta sábado, às 10h, no Cemitério Municipal de Paraty.
* Estagiária sob a supervisão de Rai Aquino
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