
Entretanto, foi com o imperador Pedro II, que instalou musas de ponta a ponta no alto do Paço, que a construção ficou com a configuração de hoje.
"Elas (estátuas) têm uma representação de inspirar a criação artística e científica. Esse é o papel delas, por isso, estão ali. Tem deusas da história, da música, da comédia, da dança, da astronomia", informa Regina Dantas.
Jardim das Princesas
Segundo Regina, está prevista ainda a proteção dos elementos do Jardim das Princesas, como fontes de gnaisse (rocha de origem metamórfica) e guirlandas em alto-relevo, bancos e tronos, mosaicos de conchas e fragmentos de louça. Era naquele lugar, ao lado do Paço, que crianças da corte imperial brincavam e até estudavam.
O valor histórico do espaço é medido também pelas visitas de importantes pesquisadores ao local, como o físico alemão Albert Einstein, que chegou a plantar uma muda de pau-brasil no local. "Era um espaço privativo da família. Esse jardinzinho era da família, porque o jardim mesmo da família era a Quinta da Boa Vista inteira, que ia para além do (estádio) Maracanã atual. Era muito grande", destaca Regina.
"As louças imperiais eram quebradas, e as crianças quebravam mais ainda e colavam usando a técnica italiana de mosaico para decorar sofá, poltroninhas todas enfeitadas com caquinhos de louças do Império. Dom Pedro II brincava lá, quando pequeno, e tinha um espaço com um caramanchão, onde estudava e as irmãs brincavam. Depois, quando cresceu, ele fez um troninho. Isso foi preservado porque está afastado do Paço. O que está gasto é pela questão do tempo e sem uma restauração devida", lembra Regina.
Paço
A recuperação do prédio do Paço de São Cristóvão será a etapa seguinte. De acordo com o diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, houve um atraso no projeto, e as obras deverão começar até o fim do primeiro semestre. "Se a gente conseguir o dinheiro. Se houver verba. (Essa é) uma coisa que preocupa", diz Kellner em entrevista à Agência Brasil.
Outra frente de obras é para a construção de seis pavilhões onde vão funcionar laboratórios, em um terreno de 44 mil metros quadrados (m²), vizinho à Quinta da Boa Vista, que abriga o museu e foi cedido pelo governo federal à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que conseguiu, com apoio da bancada do Rio de Janeiro no Congresso, a aprovação de uma emenda de R$ 55 milhões para garantir os recursos necessários à infraestrutura do terreno – as obras já começaram.
A previsão é que, nos próximos meses, a administração do museu possa mudar para as novas instalações. "Os laboratórios ainda não estarão concluídos, mas estamos atuando para que haja o processo licitatório e tudo aconteça. Tem um rito que é demorado, dentro deste contexto a gente espera, ainda este ano, estar lá."
Kellner informa que, no local, vão funcionar todos os laboratórios e os espaços destinados às novas coleções de acervo. São seis pavilhões com mais de 20 laboratórios. O material de resgate está sendo trabalhado em um anexo ao prédio do museu vai ser levado para lá. "O Museu Nacional são três pontos: o ensino, a pesquisa e a extensão vinculada ao Museu. Vamos poder voltar a fazer pesquisa de forma condizente assim que tivermos estes laboratórios."
Segundo Kellner, a normalidade institucional se restabelecerá, e vai haver tranquilidade para o desenvolvimento das pesquisas, que são imprescindíveis para o país. "A gente atua em diversidade, em questões de extinção, questões etnográficas, vários assuntos que hoje a gente está fazendo de forma precária."
O diretor do museu lembra que a instituição recebeu várias promessas de doações para compor o acervo, que ainda não foram entregues porque não existe lugar para guardá-las. "Assim que tivermos condição vamos receber. São peças da cultura africana, biológicas, de paleontologia e etnográficas de instituições do Brasil."
Para o bioarqueólogo Murilo Bastos, a construção desses laboratórios será decisiva para a continuidade do trabalho de pesquisas da instituição. "Com a reconfiguração do museu e, pesando o fato de ter havido o incêndio, os laboratórios serão fundamentais para a pesquisa e a parte de salas de aula, porque o museu também é aula, educação e pesquisa. Esse outro prédio será fundamental para que possamos trabalhar em uma parte que não é tão conhecida pelo público", ressaltou.




