Governo do Rio anuncia abertura de sete unidades da Faetec

Notícia enche de esperança quem quer se profissionalizar. Mas ainda há áreas que sofrem com o descaso e a falta de oportunidade para estudar

Por Maria Luisa de Melo

Faetec da Vila Kennedy vive dias de incerteza: passada à Secretaria de Educação, depende de acerto para utilização do terreno
Faetec da Vila Kennedy vive dias de incerteza: passada à Secretaria de Educação, depende de acerto para utilização do terreno -

Única rede profissionalizante pública do Estado do Rio de Janeiro, a Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) será expandida nos próximos meses. Sete novas unidades serão inauguradas na capital e no interior, até junho deste ano. Entre elas está uma em Campo Grande, bairro mais populoso da cidade do Rio; Angra dos Reis e Paraty, na Costa Verde; Maricá, na Região Metropolitana; Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense (será a terceira unidade da cidade); além de Cabo Frio e Rio das Ostras, na Região dos Lagos.

Cada unidade contará com cerca de 200 vagas, com oferta de cursos de acordo com a vocação de cada região. Segundo o secretário de Ciência e Tecnologia, Leonardo Rodrigues, todas as novas unidades contarão, também, com os cursos tradicionalmente oferecidos pela rede - entre eles o de idiomas (inglês e espanhol), informática e auxiliar administrativo.

"No último ano, reabrimos 20 unidades e inauguramos outras seis. Mas ainda há muito para ser feito. Este ano, vamos começar com novas sete escolas. Para a maior parte delas, estamos comprando os prédios", explicou. "Já conseguimos autorização para contratar mais professores".

Moradora de Campo Grande, a funcionária pública Carla Regina, 54, cobra a unidade da região. "A Faetec é uma das raras oportunidades de jovens pobres se profissionalizarem. Todos precisam ter esse direito. É preciso ter vaga para todos", reclama ela, que é mãe de três filhos. "Profissionalizar jovens na Zona Oeste, sendo pobre, é uma verdadeira luta".

Vila Kennedy: Faetec de portas fechadas

Apesar do anúncio de novas vagas, a profissionalização de jovens pobres parece um problema distante de ser resolvido. Isso porque algumas regiões pobres e populosas não contam com nenhuma unidade da Faetec em funcionamento.É o caso da Vila Kennedy,uma das maiores favelas da Zona Oeste da cidade, que fica às margens da Avenida Brasil. Ali, um grande Centro de Vocação Tecnológica chama a atenção de quem passa. Erguido e equipado em 2014, nunca abriu as portas à população. O que gera revolta.

“Eu tenho uma filha,de 17 anos, que não conseguiu se profissionalizar. Ela sai da escola e passa o restante do dia todo livre.Eu não tenho como pagar um curso para ela. A abertura dessa Faetec nos ajudaria muito. Aqui na Vila Kennedy tem muita gente que gostaria de se profissionalizar,mas não teve a oportunidade. Enquanto temos uma Faetec aqui largada, jogada às traças”, desabafa a vendedora de quentinhas Grasiele Cesar, de 42 anos.

A unidade ficou pronta em 2014. No ano passado,o secretário de Ciência e Tecnologia, Leonardo Rodrigues, passou a gestão do espaço ao Secretário de Educação, Pedro Fernandes, atendendo um pedido de Fernandes. A promessa era, após obras,disponibilizar ensino regular e técnico. O que não aconteceu até agora.

Procurado, o secretário Pedro Fernandes informou, através de sua assessoria, que existe uma pendência com relação à liberação do terreno onde está localizado o CVT Vila Kennedy, que “não foi cedido para instalação de um colégio estadual”.

Inscrições serão pela internet

Entre as sete novas unidades, a de Angra dos Reis será a primeira a ser inaugurada, o que está previsto para acontecer na segunda semana de março. Na mesma ocasião o governo estadual vai inaugurar, também, uma Unidade de Polícia Pacificadora na cidade.

As outras seis unidades, segundo a Secretaria de Ciência e Tecnologia, serão inauguradas nos meses  seguintes. As inscrições serão abertas pelo site da própria Faetec (www.faetec.com.br). 

Com as novas instalações, a rede chegará a 147 unidades. Nenhuma delas terá ensino em tempo integral.
Oferecerão os cursos técnicos com duração média de seis meses nos turnos da manhã, tarde e noite. Os cursos estão sendo definidos de acordo com a demanda de cada região.

“A gente sempre faz uma pesquisa de mercado e consulta o empresariado da região. A profissionalização é
importante, mas ocupar a mão de obra depois da qualificação também é”, justifica o secretário de Ciência e Tecnologia Leonardo Rodrigues.

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