GNV por quilo desagrada o setor

Inmetro propõe alternativa à medição por metros cúbicos. Preço anunciado ficaria 35% mais alto

Por Gustavo Monteiro

Com mudanças, expectativa é de que o preço do GNV caia
Com mudanças, expectativa é de que o preço do GNV caia -

Está em discussão uma mudança que tem gerado polêmica no segmento de gás natural veicular (GNV): a medição nos postos passaria a ser feita por quilos, e não mais por metro cúbico. A ideia partiu do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), que abriu consultas públicas sobre o assunto até abril. A alegação é de que levantamentos apontaram diferenças entre o volume de gás pago e o de fato abastecido. Para fontes do setor, alteração tornará o GNV aparentemente até 35% mais caro, confundindo os consumidores.

O Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado do Rio de Janeiro (Sindirepa), contesta o levantamento do Inmetro, realizado na região metropolitana do Rio, que apontou 22% de diferença entre a quantidade definida e o volume abastecido. Segundo o presidente da entidade, Celso Mattos, a referida pesquisa verificou a situação de apenas sete dos 1.759 postos que fornecem GNV no país.

"Para uma alteração de impacto significativo na ordem econômica do país é importante que seja embasada tanto em uma pesquisa estatisticamente válida quanto na ampla discussão com todos os atores afetados pela alteração da precificação do GNV na bomba".

Preço divulgado

Embora o preço final para encher um cilindro (capacidade de 15 m³ ou 11,5 kg) permaneça o mesmo, em torno de R$ 47,98, o valor unitário divulgado nos postos de GNV será 35% mais elevado caso a mudança seja aprovada, podendo ultrapassar o do etanol e se aproximar ao da gasolina. Isso porque 1 kg de gás equivale a 1,3 m³ do produto. Ou seja, em vez dos R$ 3,20 (m³), os cartazes trarão R$ 4,16 (o quilo).

"Será prejudicial para o mercado. Se o GNV for apresentado como mais caro, o consumidor tenderá a escolher outros combustíveis", explica Mattos.

Com o afastamento, as pessoas deixarão de economizar. Dados da Naturgy, a principal fornecedora de gás natural do estado do Rio, revelam que quem utiliza GNV chega a poupar até 56,1% por mês em relação à gasolina; ou 60,1% sobre o etanol.

Para Bianca Mascaro, diretora comercial da empresa, a mudança proposta pelo Inmetro pode desestimular novos adeptos ao GNV, gerando impactos em toda a cadeia de conversão. "Outra questão são as adaptações nos dispensers (bombas de combustível) para atender às exigências, que podem resultar até na interdição do posto, caso o estabelecimento não se adeque", destaca Bianca.

"A Naturgy defende a manutenção do modelo atual. Em caso de mudança, apoiamos a proposta do Sindirepa de trocar os metros cúbicos por uma energia equivalente, pois aumenta a clareza da informação ao consumidor".

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