Guarda Municipal vai preparar tropa especial para atuar com armas de fogo

Mil agentes serão selecionados e deverão substituir PMs em áreas turísticas, no entorno de escolas e em estações do BRT

Por GUSTAVO RIBEIRO

Agentes poderão se candidatar, mas comandantes de grupamentos também poderão escolher nomes por desempenho. Quem for aprovado, terá acréscimo de salário
Agentes poderão se candidatar, mas comandantes de grupamentos também poderão escolher nomes por desempenho. Quem for aprovado, terá acréscimo de salário -

Uma tropa especial da Guarda Municipal do Rio deve começar a ser selecionada e capacitada, ainda este ano, para fazer parte do efetivo que poderá usar armas de fogo. Uma triagem de mil agentes será feita pelos comandantes de cada grupamento. Entre os agentes selecionados, 500 integrarão a primeira turma de formação, com previsão de início em maio e duração até dezembro. A outra metade deverá fazer o curso em 2021.

Os prazos são estimados pelo secretário de Ordem Pública, Gutemberg Fonseca, mas dependem de alteração na Lei Orgânica do Município e da aprovação de um projeto de regulamentação — o gestor estima que a Câmara Municipal resolva essas pendências até abril.

O primeiro foco será o patrulhamento do cinturão turístico, que compreende a região do Centro e Lapa, passando por bairros da Zona Sul e o Maracanã. Outras atuações serão em rondas escolares e em edifícios públicos. Um dos objetivos é liberar os PMs desses locais para outros de maior periculosidade, que sofrem carência de policiamento.

Estações do BRT patrulhadas por PMs fora de áreas de risco também serão percorridas pelos guardas. "Quanto mais efetivo a gente levar, principalmente às áreas turísticas, mais o Rio ganha. Gera mais empregos, porque se o turista entende que ali tem uma sensação de segurança, ele vai voltar e trazer novas pessoas. Os hotéis vão precisar de mais funcionários", aposta Fonseca. Segundo ele, a Fundação Getulio Vargas apontou redução de 44% nos delitos em cidades com guarda armada.

 

Prioridade para agentes com melhor desempenho

A primeira turma de 500 guardas municipais que serão capacitados representa 6,6% do efetivo de 7.532 agentes. O primeiro critério de seleção será a manifestação de interesse. Ninguém será obrigado a fazer parte da tropa armada, mas quem passar pela capacitação terá acréscimo em seus rendimentos, estimado em um a dois salários mínimos. O segundo quesito para integrar o primeiro curso será o desempenho dos agentes no trabalho, o que será avaliado pelos comandantes.

Os pré-selecionados serão submetidos a uma prova psicotécnica da Polícia Federal. Apenas quem for aprovado começará o treinamento, em convênio com Exército e as polícias Militar, Civil, Federal e Rodoviária Federal. O curso deve durar de seis a oito meses, sendo 50% da carga horária dedicada ao uso de armamento. Outra prova psicotécnica, eliminatória, será aplicada ao final. "O guarda precisará saber como se portar dentro de uma viatura com o armamento e num ato com número expressivo de pessoas", explica o secretário Gutemberg Fonseca.

Convênio garantirá segurança aliada à tecnologia com câmeras

Todas as câmeras da cidade vão identificar placas de veículos roubados e pessoas com mandados de prisão em aberto. A tecnologia será permitida a partir de um convênio entre Prefeitura do Rio e ministérios da Justiça e de Ciência e Tecnologia. De acordo com o secretário Gutemberg Fonseca, o convênio já foi assinado e a novidade deve estar funcionando já no próximo mês. A primeira fase do sistema integrado contemplará 251 câmeras espalhadas na região turística.

Carros roubados ou pessoas com mandados de prisão serão sinalizados com uma marcação vermelha nas câmeras, que são monitoradas por agentes da Guarda Municipal no Centro de Operações da prefeitura, na Cidade Nova, e em base móvel localizada em Copacabana. Os guardas manterão contato com as forças policiais para decidirem a melhor forma de abordagem em casos suspeitos e de possível prisão. Todos os agentes envolvidos no patrulhamento do Carnaval e nas operações do programa Rio Seguro também contam com reforço tecnológico: as ações são filmadas por câmeras acopladas aos uniformes, e as imagens são transmitidas em tempo real para as centrais de videomonitoramento.

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