
Rio - O aniversário de 455 anos da Cidade do Rio, celebrado hoje, foi escolhido pelo prefeito Marcelo Crivella para divulgar uma lista de presentes que dará aos cariocas. Em meio à substituição de organizações sociais da Saúde por empresa pública, o gestor anunciou a O DIA a contratação de 292 médicos para as Clínicas da Família. Segundo Crivella, o número suprirá todas as faltas nas unidades até o início de abril.
A partir de convênio com clínicas particulares de oftalmologia, também promete fazer 30 mil cirurgias gratuitas de catarata até o fim do ano. Em março, inaugura a primeira escola cívico-militar do município, mas quer mais: disse que vai pedir ao presidente Jair Bolsonaro, de quem espera apoio nas eleições deste ano, autorização para abrir mais duas, beneficiando 1.500 alunos ao todo.
Outra novidade é uma parceria público-privada com empresas estrangeiras para iluminar áreas das zonas Norte e Oeste, além do Centro e orla turística, com direito a 11 mil câmeras de reconhecimento facial, seis mil pontos de wi-fi gratuitos espalhados pelo município e dois mil sensores de bueiros.
ODIA: No dia do aniversário do Rio, que presentes o senhor tem para anunciar aos cariocas?
Vamos começar pela Saúde: R$ 58 milhões nesta semana para o mutirão de catarata nas clínicas oftalmológicas. Vai dar para operar 30 mil pessoas até o fim do ano. Em 2018, operamos 23 mil. São todas as clínicas nas zonas Sul, Norte e Oeste que operam para planos de saúde e têm convênio conosco. Há 25 mil na fila do Sisreg. Quem precisa operar deve fazer inscrição em uma Clínica da Família. Além disso, estão chegando da China mais 16 tomógrafos e, com os 11 que já compramos, serão 27. Toda a nossa rede vai ter tomógrafos de ponta. Estou fazendo duas clínicas de imagem, em Bangu e em Santa Cruz, e vou colocar um tomógrafo em cada. Vamos dar posse a 300 médicos na terça-feira. A população terá mais clínicos, cardiologistas, anestesistas.
Para onde vão os 300 médicos?
A reclamação que eu mais recebia era da falta de médicos nas Clínicas de Saúde da Família. Então, por isso, a prefeitura está tirando as OSs (Organizações Sociais) e colocando a RioSaúde (empresa pública). A RioSaúde está contratando 292 médicos para todas as Clínicas da Família e, entre o fim de março e o começo de abril, vão conseguir completar todas as faltas espalhadas pela cidade. Deu certo quando fizemos no Rocha Faria e no Hospital de Acari.
E para a Educação?
Ano passado, conseguimos a aprovação de 94,5% dos alunos. Estamos abrindo as escolas nos sábados para reforço, com café da manhã e almoço. Este ano, as crianças estão recebendo três camisetas, um tênis e material escolar, além de banda larga de graça em todas as escolas. Estamos comemorando a primeira escola cívico-militar, que, com a presença do presidente Bolsonaro, será inaugurada no dia 27 de março, no Rocha, para 540 alunos, que depois poderão seguir carreira militar. Quem ainda tiver interesse, vale a pena entrar no site da Secretaria de Educação e se matricular. Nós só tivemos autorização do governo federal para esta unidade cívico-militar. Quando o Bolsonaro estiver no Rio, vou pedir mais. Nesse terreno, eu tenho mais duas Escolas do Amanhã semiprontas que podem ser adaptadas. Assim, teríamos mais 1.500 alunos. Outra novidade é que, nesta semana, devemos assinar uma parceria público-privada de iluminação pública com empresas dos Estados Unidos, da Espanha e de Cingapura para trocar 450 mil luminárias nos nossos postes. Em vez de pagar R$ 20 milhões de conta de luz, passaremos para R$ 10 milhões. A cidade vai ficar iluminadíssima. Em contrapartida, elas vão nos dar 11 mil câmeras com identificação facial, 6 mil pontos de wi-fi gratuito para praças, comunidades e áreas beira-mar e 2 mil sensores de bueiros.
Quando essas tecnologias começarão a ser implementadas?
Eles têm 24 meses para fazer tudo. Nos primeiros 12 meses, já têm que passar da metade. Nossa ideia é tornar o Centro da cidade, as áreas turísticas e as principais avenidas da Zona Oeste e da Zona Norte mais iluminadas.
Quais foram os principais retornos do Carnaval para o Rio?
O levantamento dos números vai depender desses últimos dias. O Marcelo (Alves, presidente da Riotur) tem me dito que foi o maior Carnaval da história. A gente deve comemorar muito o Carnaval ter sido um sucesso, mas sem recurso público. Antigamente, a prefeitura colocava R$ 70 milhões para o prefeito chegar com o chapéu Panamá e bater o pandeiro. O que é melhor para nossa população? o prefeito sair com chapeuzinho Panamá batendo pandeiro e ser aplaudido pelos foliões ou o prefeito ser vaiado e sair como um boneco de Judas, mas poder gastar esses R$ 70 milhões aumentando em dez mil o número de crianças nas creches conveniadas? Foi o que eu fiz.
O governador Witzel pretende assumir o Sambódromo e fazer um calendário para o ano todo no espaço. O que pensa a respeito?
Fazer um calendário ali é espetacular. O Sambódromo é um terreno que tem o foro da União, não é uma decisão só minha. Tem que ter também uma aprovação do governo federal. Nós acabamos de fazer uma reforma de R$ 8 milhões. O Sambódromo está lindo, seguro. Todos os eventos que o governador quiser fazer serão bem-vindos.
O BRT Transbrasil fica pronto?
O BRT deve ficar pronto no final de maio. Aproveito fazer um apelo ao nosso querido governador, que é o terreno do estado em Deodoro onde será a estação final. Há mais ou menos um ano estamos conversando para que esse terreno seja passado para o município e espero que não demore mais. É basicamente o que está faltando.
O presidente Jair Bolsonaro vai apoiar sua candidatura?
O prefeito da cidade, candidato à reeleição, procura o apoio de todos, sobretudo do presidente da República. Agora, só ele é que pode responder essa pergunta. Eu não posso. Se me perguntar: você quer? Quero muito. Mas vai apoiar? Aí tem que perguntar para ele.
O senhor enfrentou paralisação de profissionais de OSs da Saúde no último ano. Como dar a volta por cima em ano eleitoral?
Com a troca das OSs pela RioSaúde, em larga escala nós vamos pagar mais barato. E também nos aluguéis e na manutenção dos equipamentos. Isso nos dará uma melhor economia, que vai se reverter em melhores condições de trabalho para os funcionários e melhor atendimento para os usuários. A ideia é ir trocando todas as OSs aos pouquinhos. Mas isso é devagar para não prejudicar o atendimento.
Que balanço faz dos três primeiros anos de gestão?
Um milagre. Agradeço muito a Deus. Se comparar os três primeiros anos do Eduardo Paes com os meus três primeiros anos, eu tive R$ 10 bilhões a menos de receita. Sendo que eu tive que pagar, nos três primeiros anos, R$ 5 bilhões (de dívidas) deixados pelo Eduardo Paes. Tivemos que tomar medidas duríssimas. Por exemplo, atualizar a planta de valores do IPTU. Nenhum prefeito queria fazer isso. Vinte mil apartamentos em Copacabana não pagavam IPTU. Nós tivemos que fazer a contribuição dos servidores inativos. A única cidade do Brasil em que os aposentados não ajudavam a pagar aposentadorias era o Rio. (...) O Eduardo governava com 35 secretarias. Eu governo com 11. Cortamos milhares de cargos. O que nós alcançamos com poucos recursos foi melhor que o legado da Olimpíada. Coloquei R$ 300 milhões na Saúde. Tem escola abrindo dia de sábado e dando comida para as crianças. Fizemos obras de contenção na Niemeyer, na Rocinha e para todo lado. Vacinamos um milhão de animais e castramos como nunca castramos antes. Internamos 430 mil pessoas, fizemos quase 300 mil cirurgias sem erro cirúrgico e mais de 22 milhões de consultas. Isso com R$ 15 bilhões a menos. Será que não tem a mão de Deus aí? Meu maior legado é mostrar à população do Rio que eu amo tanto que vale a pena ser honesto. Mesmo nos momentos mais difíceis, nas crises mais agudas, os sacrifícios mais amargos e as mais dolorosas renúncias, vale a pena ser honesto.




