Postos Shell poderão ficar sem combustíveis

Consumidores serão prejudicados porque a companhia, ao lado da BR e Ipiranga, controla o mercado. Alta concentração é investigada pelo Cade

Por Gustavo Monteiro

O objetivo do RenovaBio é aumentar a produção de biocombustíveis no Brasil, a fim de que o país cumpra os compromissos assumidos no Acordo de Paris de redução das emissões de gases de efeito estufa
O objetivo do RenovaBio é aumentar a produção de biocombustíveis no Brasil, a fim de que o país cumpra os compromissos assumidos no Acordo de Paris de redução das emissões de gases de efeito estufa -

Há risco de faltar gasolina e diesel em postos de todo os país. A Raízen, que controla a distribuidora Shell, está com problemas para abastecer sua rede devido a problemas de informática que impossibilitam a emissão de notas fiscais, o recebimento de pedidos e a liberação de crédito. Vários sistemas foram desligados, inclusive o de faturamento. Com isso, os postos da Shell estão sem receber combustíveis há mais de uma semana.

Fontes do setor estão apreensivas. Elas chamam a atenção para o fato de que um simples problema de tecnologia da Shell pode ser um enorme entrave para o abastecimento nacional. Tal fato traz à tona a necessidade do debate da conveniência de que uma única companhia possa ter uma participação tão significante em um segmento tão sensível como o da distribuição de combustíveis.

A controladora da Shell é investigada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) por formação de cartel junto com Petrobras e Ipiranga. Em 2017, a Shell deixou de ser punida pela ANP por abuso de poder econômico porque a suspensão de suas atividades poderia comprometer o abastecimento nacional.

De acordo com uma carta enviada à Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) pela Fecombustíveis (Fecombustíveis Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes), entidade que representa os postos revendedores, a Raízen está enfrentando problemas desde a última quarta-feira (11/3).

No documento, a Fecombustíveis pede autorização para que os postos bandeira Shell adquiriram combustíveis de outras distribuidoras ou TRRs (Transportador-Revendedor-Retalhista). Atualmente, os postos revendedores só podem comprar produtos de distribuidoras vinculadas à sua bandeira. "A rede de postos está desabastecida, e grande parte não está conseguindo nem efetuar seus pedidos", reitera o ofício.

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