Pandemia do coronavírus populariza o home office

Para evitar contaminação, muitas empresas estão permitindo que os funcionários façam suas tarefas em casa

Por Bernardo Costa

ILUSTRA MATERIA HOME OFFICE
ILUSTRA MATERIA HOME OFFICE -

O risco de contaminação em massa no país pelo coronavírus acendeu o alerta. Na sexta-feira, o Ministério da Saúde orientou as companhias a incentivarem o home office, o que começa a ser adotado por muitas empresas esta semana. Porém, por ser uma situação forçada, a falta de preparo para a nova realidade rotina de trabalho pode trazer impactos negativos. Para ajudar os gestores a enfrentar a crise, O DIA pegou dicas com especialistas para um home office produtivo.

Para Bela Fernandes, consultora da Aylmer Desenvolvimento Humano, é aconselhável que as empresas criem um comitê de crise para centralizar a comunicação. "As empresas são corresponsáveis sociais para que o vírus não se alastre. O comitê deve orientar, tirar dúvidas e controlar as informações que entram na empresa, com atualizações sobre a pandemia no mundo, pois qualquer ruído pode impactar", diz.

Estabelecido o home office, a comunicação deve ser clara em relação aos objetivos e expectativas da empresa. Neste momento, o papel dos líderes ganha relevância para garantir a produtividade da equipe. "Os gestores precisam definir metas de curto prazo, podem ser diárias, semanais ou, no máximo, para cada 15 dias. Os contatos regulares são importantes para identificar problemas", orienta Luciana Caletti, vice-presidente da Glasdoor para a América Latina.

Bela Fernandes orienta contato por voz e vídeo. Além de questões relativas ao trabalho, ela aconselha que o gestor demonstre preocupação com a vida pessoal dos colaboradores. "É importante que todas as manhãs ele faça contato com cada um dos colaboradores. Além de comunicar os afazeres do dia, é indicado perguntar como ele e sua família estão se sentindo. Isso gera aproximação e possibilita que o empregado manifeste problemas ou obstáculos que esteja enfrentando", diz Bela.

Luciana Caletti recomenda que a empresa destaque profissionais do setor de TI para auxiliar, remotamente, os colaboradores que tiverem dificuldade com dispositivos tecnológicos para auxílio ao trabalho remoto, como o Skype e plataformas de videoconferência. Ela ainda acrescenta que pelo menos uma vez por semana é importante que a equipe tenha uma reunião por videoconferência. "Isso para evitar que duas pessoas façam o mesmo serviço".

 

O empregado deve ser cobrado por produção, e não por carga horária

Segundo o advogado trabalhista Sérgio Batalha, o modelo home office não comporta controle de horários por parte do empregador, nem mesmo horas extras.

"O razoável é que a empresa mantenha contato com os profissionais durante horário comercial. Mas ela não pode exigir carga horária, e sim o cumprimento dos afazeres".

Porém, segundo Batalha, caso o colaborador consiga comprovar que foi acionado em horários inconvenientes, pode pleitear o pagamento de horas extras na Justiça.

Como ter foco ao trabalhar em casa

Para que o trabalho seja eficiente, as especialistas recomendam que o colaborador busque simular em casa o ambiente de trabalho na empresa. O ideal é escolher um local arejado, bem iluminado e livre de distrações. "Tirar o pijama e se vestir como se fosse para a empresa ajuda a definir o horário de trabalho, motiva e traz autoconfiança", explica Luciana Caletti.

Outra dica é definir horários para o trabalho e para os afazeres de casa.

"Recomendo que, assim que começar a trabalhar, o colaborador avise à equipe que está disponível. A mesma coisa quando ele encerrar as atividades. Para a família, é importante deixar claro que, durante determinado período, estará disponível para a empresa", orienta Bela Fernandes.

Segundo ela, o momento de crise é também de oportunidades. "Como as empresas terão dificuldades, o momento é oportuno para o caso de algum funcionário ter uma grande ideia, uma solução para a empresas neste momento e ser reconhecido por isso", explica Bela.

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