Filha afirma que pertences do pai sumiram no Hospital da Posse, em Nova Iguaçu

Cláudio morreu há um mês vítima de COVID-19, e desde então a filha Daiana busca encontrar os objetos do pai, entre eles alianças de prata e de ouro

Por Yuri Eiras

Cláudio José da Silva, morto no Hospital da Posse
Cláudio José da Silva, morto no Hospital da Posse -
Rio - "Fiz do luto minha luta" é a imagem de capa das redes sociais de Daiana Silva, que perdeu pai e o tio há um mês, ambos por covid-19. Desde então, além da imensa dor, convive com a revolta: segundo ela, os pertences de Cláudio José da Silva, seu pai, sumiram do Hospital da Posse, em Nova Iguaçu. Daiana diz os objetos não devolvidos são um par de alianças - uma de prata e outra de ouro -, uma bermuda, uma camiseta, uma manta e um par de chinelos.
"Nada vai trazer ele de volta, mas estou lutando para que as pessoas não passem pelo que estou passando. Parece que estamos implorando um direito que foi negado. Já não me deixaram reconhecer o corpo, e dois dias depois fui retirar os pertences e eles simplesmente sumiram. Tenho foto dele lá dentro com os pertences", conta. As alianças eram de noivado, com o nome de Daiana gravado.
A filha de Cláudio José abriu um pedido na ouvidoria do hospital para reaver os pertences. O setor responsável, porém, disse que os objetos não foram recolhidos pelo setor de Hotelaria. Em nota,o Hospital Geral de Nova Iguaçu (HGNI) afirmou que "já abriu sindicância e continua apurando os fatos que marcaram a entrada de Cláudio José da Silva, uma vez que no momento da internação, em 16 de abril, não houve registro de recolhimento dos pertences do paciente. A direção do HGNI está à disposição da família para maiores esclarecimentos".
Polêmica na liberação do paciente
Daiana reclama também que o Boletim de Atendimento Médico (Bam) diz que Cláudio José recebeu alta "à revelia", quando o próprio paciente decide deixar o hospital. "O boletim diz que meu pai teve alta por 'revelia', que é quando o paciente pede para sair do hospital. Isso é muito, muito cruel. Nunca pedimos para tirarem meu pai de lá. Muito pelo contrário. Isso nem vem me machucando, porque era a vontade de Deus, ele foi. Mas é uma revolta. Minha luta é para ajudar as pessoas que estão vivas", explica Daiana, que tem visitado o Hospital da Posse constantemente em busca de informações e criou uma página no Facebook para atualizar amigos sobre a investigação própria que tem feito.
"Como vou tirar meu pai do Hospital da Posse? Eles falaram que o pulmão do meu pai estava limpo e eles liberaram. Isso é brincar com o sentimento das pessoas".
Sobre esse assunto, o HGNI diz que Cláudio teve duas entradas registradas. "Uma em 14 de abril, quando passou por um procedimento no pulmão, mas não aguardou reavaliação, e outra em 16 de abril, quando foi internado no setor da covid-19, mas não resistiu aos sintomas e morreu em 17 de abril".

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Cláudio José da Silva, morreu no Hospital da Posse, em abril. Família busca por objetos do paciente REPRODUÇÃO FACEBOOK
Ouvidoria afirma que setor de hotelaria não recolheu pertences ARQUIVO PESSOAL
Cláudio José da Silva, morto no Hospital da Posse REPRODUÇÃO FACEBOOK

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