Respiradores: conta não fecha

OS distribui equipamentos com base em lei de 10 anos; mas especialista critica má distribuição

Por Marina Cardoso e Letícia Moura*

A OS Iabas alega que a quantidade disponível de respiradores segue norma da Anvisa
A OS Iabas alega que a quantidade disponível de respiradores segue norma da Anvisa -
Mesmo com o cenário da pandemia do coronavírus (Covid-19), somente metade dos leitos de UTI dos hospitais de campanha do governo do Rio terão respiradores. Isso quer dizer que 50% dos 520 leitos anunciados pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio (SES-RJ) contarão com o equipamento que é fundamental para o tratamento de pacientes graves infectados com a covid-19. Porém, o Instituto de Atenção Básica e Avançada à Saúde (IABAS), organização responsável pela construção e administração de sete hospitais de campanha do Estado, informou que não há falta de respiradores para atender os pacientes e que segue uma norma da Anvisa.

Em nota, a organização afirmou que o total de respiradores foi baseado em uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicada há 10 anos.“O regulamento da Anvisa RDC 7, de fevereiro de 2010, exige um mínimo de um respirador para dois leitos de UTI. Este número serviu de referência para o IABAS. O IABAS construirá um total de 520 leitos de UTI. Isso exige, segundo as normas da Anvisa, um total de 312 respiradores - um para cada dois leitos mais uma reserva operacional de um respirador para cada cinco leitos de UTI”, explica a nota.

A OS está responsável pelas unidades de campanha do Maracanã, Nova Friburgo, Duque de Caxias, São Gonçalo, Campo dos Goytacazes, Casimiro de Abreu (Barra de São João) e Nova Iguaçu. Além deles, há os hospitaiserguidos no Leblon e no Parque dos Atletas, pela iniciativa privada.

A OS também informou, em nota, que adquiriu 410 respiradores até ontem. Destes, 83 estão no Rio de Janeiro. Amanhã, 135 respiradores serão entregues, no Aeroporto do Galeão. Cem respiradores serão entregues na próxima semana, entre os dias 25 e 29 de maio. Na primeira semana de junho, entre os dias 1º e 5, cem outros respiradores serão entregues.

Para o médico da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz Daniel Soranz, o problema não é a falta de respiradores nos leitos de UTI dos hospitais de campanha, mas a má distribuição dos aparelhos pelo Rio. "A questão não é a falta de leitos com respiradores nos hospitais de campanha, mas sim a existência de leitos com equipamentos desocupados, como é o caso do Hospital Estadual Anchieta e oInstituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad. Há leitos disponíveis, mas que o governo não os utiliza. Não faz sentido falarmos de hospitais de campanha quando se há vagas que podem ser preenchidas em unidades com desempenho clínico maior", afirma Soranz.

Cronograma deve ser entregue hoje

A SES informou que o governo do Rio criou, na segunda-feira passada, o Comitê de Supervisão dos Hospitais de Campanha. Em apoio à pasta, o grupo vai fiscalizar a estrutura montada pelo Estado para o atendimento às vítimas da covid-19. Também na segunda-feira, foi realizada reunião dos membros do Comitê, incluindo o novo secretário de Saúde, Fernando Ferry, com representantes da IABAS. Na reunião, o governo cobrou um plano imediato e concreto para a entrega das unidades, compra de equipamentos, contratação de pessoal e abertura de leitos.

A OS se comprometeu a apresentar este plano em até 48 horas, com prazo final para hoje. O IABAS esclareceu, em nota, que um novo cronograma de entrega será apresentado hoje. Já a pasta disse que um novo cronograma sobre a inauguração dos hospitais de campanha será informado em breve. Das sete unidades sob responsabilidade da OS, apenas uma parte do hospital do Maracanã já foi entregue, no dia 9 de maio, após nove dias de atraso.
*Estagiária sob supervisão de Waleska Borges

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