Rio de Janeiro 21/05/2020 - Covid-19 - Os proprios moradores fazem a dedetização da comunidade Jesuitas em Santa Cruz. Na foto acima a moradora Joilma Freitas com sua filha no colo. Foto: Luciano Belford/Agencia O Dia - Luciano Belford/Agência O Dia
Rio de Janeiro 21/05/2020 - Covid-19 - Os proprios moradores fazem a dedetização da comunidade Jesuitas em Santa Cruz. Na foto acima a moradora Joilma Freitas com sua filha no colo. Foto: Luciano Belford/Agencia O DiaLuciano Belford/Agência O Dia
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Isolamento social e higienização das mãos, duas das principais recomendações das organizações de saúde para impedir a propagação do novo coronavírus. Tarefa quase impossível para as cerca de 200 famílias que moram na ocupação dos Jesuítas, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. A região é uma das mais pobres da cidade e conta com espaço comunitário como dois banheiros e uma cozinha de uso coletivo e encontra dificuldades para enfrentar a covid-19.

A comunidade contabiliza dois casos suspeitos da doença, segundo os próprios moradores. “Quem mora na ocupação não tem como cumprir as regras de isolamento. Se uma pessoa se contaminar com a covid-19, todos nós corremos o risco de ficar doentes. Somos 200 famílias, com apenas dois banheiros e duas pias coletivas. Nos preocupamos com nossas crianças com os idosos. Essas duas suspeitas não estão aqui por enquanto”, diz a dona de casa Joilma Freitas da Silva, de 31 anos, que vive com a família na ocupação.

São centenas de barracos de madeira, amontoados um ao lado do outro, sem saneamento básico e com esgoto a céu aberto. O abastecimento de água é feito por imóveis vizinhos, através de doações. O medo não é apenas da covid-19, mas também de doenças como a dengue e a leptospirose.

A vendedora de balas Carla Viviane, de 20 anos, conta que falta itens de higienes pessoais, como sabonetes e álcool gel, para ajudar no combate a pandemia e na higienização de sua filha, de oito meses. “A gente aqui Jesuíta está lutado sozinho. Precisamos muito de ajuda pra combater esse vírus. Nossa comunidade precisa muito de ajuda”, desabafa a jovem que mora com o esposo, também desempregado.

Anteontem, os becos e vielas da ocupação passaram por sanitização, através de uma iniciativa do empreendedor Thiago Firmino, morador do Santa Marta, que vem realizando trabalho de higienização em várias comunidades do Rio.
"Como não podemos nos isolar, por conta do uso coletivo dos banheiros e cozinha, essa higienização vai trazer um pouco de tranquilidade pra gente. Mas não podemos fingir que a doença não existe", completa a dona de casa Joilma Freitas.