UFRJ indica pico da covid-19 no início deste mês

Nota técnica da universidade aponta que o valor do indicador da transmissão da doença ainda é muito alto no Estado do Rio

Por Letícia Moura*

Uma nota técnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) aponta que o pico do processo epidêmico da covid-19 deve ocorrer a partir do fim desta semana, com previsão de 55 mil casos confirmados e 13 mil mortes no Estado do Rio, conforme simulações feitas por pesquisadores. Com base em dados gerados por modelo computacional, desenvolvido pela Coppe/UFRJ, cientistas recomendam o lockdown (bloqueio total) no estado, para conter a disseminação do coronavírus. Segundo o estudo, os resultados indicam que o valor do indicador de transmissão da doença ainda é muito alto. Especialistas alertam para o risco da flexibilização da quarentena neste momento.

Ainda segundo a pesquisa, os esforços iniciais, como o isolamento social, contribuíram para reduzir, mesmo que timidamente, o valor da reprodutibilidade, ou seja, o nível de transmissão do novo coronavírus. No entanto, o estado ainda aparenta estar em uma "situação extremamente preocupante".

O medidor 'Covidímetro', utilizado nesta nota técnica, oferece uma maneira de interpretar o índice de reprodutibilidade da epidemia, por meio da indicação de níveis de risco para a população. Conforme os dados, o 'Covidímetro' estima que o lockdown é necessário, quando o índice de reprodutibilidade estiver acima do grau 2. No estado e no município do Rio, a ferramenta prevê a taxa em 2,25 e 2,15, respectivamente. Ou seja, uma pessoa contaminada passa a covid-19 para mais de duas outras. Em uma epidemia, o indicador deveria ficar abaixo do índice 1, o que mostra a transmissão do vírus apenas para um outro indivíduo.

Os índices usados foram calculados utilizando os casos notificados até 9 de maio e confirmados pela Secretaria Estadual de Saúde (SES). As simulações foram realizadas com as ocorrências na semana de 10 de maio a 16 de maio.

Previsão de casos
De acordo com as simulações realizadas para o levantamento, com o pico da doença ainda no início deste mês, há uma estimativa de aproximadamente 50 mil casos confirmados e 9 mil óbitos na capital fluminense.

Conforme dados do Painel Rio Covid-19, até a noite de ontem, o município do Rio contabilizou 30.014 casos, sendo 1.533 confirmados nas últimas 24 horas. Em relação aos óbitos/sepultamentos, são 2.135 confirmados e 2.502 suspeitos. E já são 24.791 pessoas recuperadas da enfermidade.

A Secretaria Estadual de Saúde registrou, até ontem, 54.530 casos confirmados e 5.462 mortes por covid-19 no estado. Há ainda 1.288 óbitos em investigação e 264 foram descartados. Entre os casos confirmados, 40.355 pacientes se recuperaram da doença.

A pasta também informou que a taxa de ocupação, considerando toda as unidades da rede estadual, é de 71% em leitos de enfermaria e 90% em leitos de UTI. Ao todo, 2.205 pacientes estão internados na rede estadual. No total, em toda a rede pública, 102 suspeitos ou confirmados de covid-19 aguardam transferência para UTIs, e 60 para enfermaria, que podem ser regulados para as diferentes redes, seja ela municipal, estadual ou federal.

'Ainda não é hora de afrouxar o isolamento'

Pesquisadora em saúde do CESS/UFRJ, Chrystina Barros explica que medidas de afrouxamento do isolamento social irão significar um aumento no número de casos. "Nós ainda estamos numa curva ascendente. Inclusive, os dados do Ministério da Saúde mostram que o Rio de Janeiro tem a maior taxa de mortalidade por cada 100 mil habitantes da Região Sudeste".

Chrystina ainda esclarece que "só haverá segurança para promover o relaxamento, numa epidemia, quando o indicador estiver abaixo de um, ou seja, uma pessoa transmite, no máximo, para outra pessoa. E nesse momento, os dados do 'Covidímetro' apontam que não temos condição segura para qualquer afrouxamento".

A presidente da Sociedade de Infectologia do Estado do Rio de Janeiro, Tânia Vergara, pondera que o momento mais seguro para a reabertura será "quando a curva parar de crescer e tivermos vagas nos CTIs. Por enquanto, que eu saiba, ainda não temos essas vagas".

*Estagiária sob supervisão de Waleska Borges

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