Roubo na Saúde ignora tragédia

Esquema desvia mais de R$ 18 milhões em compras de respiradores que nunca foram entregues

Por Anderson Justino

Em mais uma fase da Operação Mercadores do Caos, a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio prenderam o superintendente de Orçamento e Finanças da Secretaria Estadual de Saúde, Carlos Frederico Duboc, investigado como integrante do grupo comandado pelo ex-subsecretário de Saúde Gabriell Neves. Eles são acusados de desviar mais de R$ 18 milhões dos cofres públicos do Rio em compras de respiradores que jamais foram entregues.

A operação de ontem aconteceu quando o Estado do Rio bateu a dramática marca de 86.963 casos confirmados da doença, com total de 7.967 óbitos. Só na capital foram contabilizados 45.978 casos e 5.343 mortes. Em 24 horas, houve acréscimo de 3.620 diagnósticos no estado e 171 mortes. Na Cidade do Rio, foram 2.104 novos casos, com 104 mortes.

A operação contou com a participação do Ministério Público do Distrito Federal, que cumpriu mandados de prisão e busca e apreensão em Brasília. No Rio, também foi preso o empresário Anderson Gomes Bezerra. Em resposta à prisão do superintendente da pasta, o governador Wilson Witzel determinou que fosse agilizada a exoneração de Carlos Duboc.

O superintendente estava na pasta desde a administração do ex-secretário Edmar dos Santos, exonerado em meados de maio, por suspeitas de irregularidades na construção de hospitais de campanha. Duboc autorizava despesas como a compra de respiradores. Apesar das denúncias, ele permaneceu no cargo com a chegada do novo secretário, Fernando Ferry.

A Secretaria de Saúde alega que, desde 3 de junho "os poderes para ordenações de despesas foram delegados somente a Ferry", que assumiu em 18 de maio.

Onze denunciados e sete presos

Desde o início da primeira fase da Operação Mercadores do Caos, no dia 7 de maio, 11 pessoas foram denunciadas, sendo sete delas presas.

O grupo é acusado de montar uma organização criminosa dentro da Secretaria Estadual de Saúde. Segundo o MPRJ, a quadrilha foi formada para desviar verbas num valor total de R$ 36.922.920, do governo o estado. O montante deveria ter sido usado para a compra de respiradores para pacientes com covid-19.

Ainda segundo o MP, a empresa a A2A recebeu R$ 9,7 milhões para entregar os equipamentos. Porém, não entregou nada. Esse valor foi repassado para outras empresas, como parte da divisão do esquema fraudulento.

O empresário Anderson Gomes recebeu R$ 679 mil repassados pela Globalmed. As defesas de Duboc e Anderson não se manifestaram.

Lista dos presos

. Gabriell Neves, subsecretário de Saúde do estado, exonerado antes da prisão;

. Gustavo Borges, que sucedeu Gabriell na pasta, exonerado depois da operação;

. Aurino Filho, dono da A2A, uma empresa de informática que ganhou contrato para fornecer respiradores ao estado;

. Cinthya Silva Neumann, sócia da Arc Fontoura, outra firma contratada;

. Maurício Fontoura, controlador da Arc Fontoura e marido de Cinthya;

. Glauco Guerra, representante da MHS, a terceira empresa contratada;
. Carlos Frederico Verçosa Duboc, superintendente de Orçamento e Finanças da Secretaria estadual de Saúde;
Anderson Gomes Bezerra, empresário.

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