Referência quando o assunto é Bangu, o historiador Calos Molinari, apaixonado pelo clube, aceitou contar ao DIA um pouco da vida de Castor de Andrade, o "último patrono do Bangu Atlético Clube". E apesar das polêmicas, Carlos não esconde a admiração pela figura do bicheiro.
"O bairro sente falta dele, é óbvio. E sempre que vemos times ruins em campo - como este de 2020 -, a torcida diz assim: "Com Castor isso não aconteceria", explica o historiador, que, em texto de um livro que nunca foi publicado, escreveu resumidamente sobre a vida de Castor.
"Nascido em 12 de fevereiro de 1926, formado pela Faculdade Nacional de Direito, filho de um pecuarista - Euzébio de Andrade - e de Dona Carmen, cuja família controlava boa parte do jogo do bicho no subúrbio. Entre herdar o gosto pelo gado ou pelos 25 bichos que compõem o lucrativo sistema de apostas, Castor resolveu seguir os 'negócios' da avó e das tias maternas. Tornou-se o maior e mais conhecido bicheiro do país", relata Molinari.
Mas, ao invés de ocupar páginas policiais dos jornais, Castor se destacava mesmo era nas páginas esportivas. Torcedor do Bangu, a relação com o clube ficou ainda mais estreita quando, em 1963, seu pai assumiu a presidência do clube. Dali em diante, foi um dos pilares da geração mais vitoriosa do clube. Também apaixonado por carnaval, foi presidente de honra da Mocidade nas décadas de 80 e 90. Além disso, era um homem de negócios que ia muito além dos pontos de jogo do bicho. "Era dono de uma metalúrgica, uma corretora de seguros, uma agência de automóveis, uma copiadora, um restaurante, um posto de gasolina, e duas empresas de pesca".
Adorado no bairro, Castor também era 'mão aberta', mas sabia ser linha dura quando necessário. Foi preso durante a Ditadura Militar e em outras duas vezes, já na década de 90. Faleceu na prisão, em 11 de abril de 1997, vítima de um ataque cardíaco.




