Sinal de alerta

Pesquisa aponta que 30% dos brasileiros estão comendo mais na quarentena, e diabéticos precisam redobrar os cuidados para evitar complicações de saúde

Por Danillo Pedrosa

Matheus Motta, de 32 anos, nutricionista do programa Vigilantes do Peso
Matheus Motta, de 32 anos, nutricionista do programa Vigilantes do Peso -

Início de inverno e quarentena são um prato cheio para, nas horas vagas, devorar as guloseimas e deixar as 'fugas' da dieta ainda mais constantes. Uma pesquisa do Vigilantes do Peso comprovou que, durante o período de isolamento social, 30% dos brasileiros estão comendo acima do normal, e o momento é de ficar alerta em relação às tentações da cozinha. Doces e refrigerantes estão entre os itens que mais tiveram aumento no consumo, ligando um sinal de alerta para aqueles que têm diabetes ou precisam controlar o peso.

Ainda de acordo com o Vigilantes do Peso, cerca de 65% dos brasileiros têm consumido mais massas e pães do que o habitual durante a quarentena, e 42,5% estão comendo mais doces. Já entre as bebidas, refrigerantes (26,2%) e as alcoólicas (26,6%) têm sido os grandes vilões da dieta no período de pandemia.

Para os diabéticos, o aumento do consumo desses alimentos pode agravar o quadro ou até gerar outros problemas de saúde. Diante disso, o nutricionista do programa, Matheus Motta, alerta para os cuidados de manter a rotina de alimentação, uma tarefa que pode ser ainda mais difícil na atual conjuntura.

"Excessos são preocupantes, principalmente de doces, carboidratos e alimentos que contenham açúcar. Também não pode consumir muita gordura, porque tem outros fatores preocupantes, como doenças cardiovasculares e o colesterol", explica Matheus, que também chama a atenção para a necessidade de se planejar para comer durante intervalos regulares e não muito longos. "O que sempre falo é para a pessoa tentar manter o que já fazia antes. Se tinha uma rotina no trabalho, que ela mantenha o horário fixo das refeições".

Outra dica do especialista é fazer exercícios físicos regularmente, já que eles ajudam a evitar a glicemia - alta concentração de açúcar no sangue. Porém, é sempre necessário ter acompanhamento médico, mesmo no período de distanciamento social. 

"Os exercícios físicos têm um grande impacto e vão atuar de forma positiva no controle da glicemia. Essas atividades são ótimas para o controle da diabetes. Já os que precisam da insulina têm que tomar cuidado com a hipoglicemia. Por isso, é importante sempre ter acompanhamento de um médico", afirma o nutricionista de 32 anos.

Maria, da Barra, mantém cuidados

Manter uma alimentação saudável tem sido uma prioridade para Maria Selva, moradora da Barra, que é diabética. Resistir às delícias da cozinha - principalmente os doces - nunca é uma tarefa simples, e durante a quarentena tem sido ainda mais complicado, já que a companhia mais constante do marido também afeta a sua dieta.

"Agora que meu marido almoça todos os dias, acabo comendo um pouco mais também", explica Maria, de 74 anos, casada com Ronaldo Barros, de 78. 

Maior inimigo dos diabéticos, o doce é justamente o ponto fraco de Maria. Para não ficar só na vontade, ela improvisa: "Na quarentena, passei a experimentar algumas receitas com açúcar para diabético, como uma fruta...", disse Maria, que já perdeu nove quilos desde que entrou no Vigilantes do Peso. Para se manter em forma, ela ainda continua fazendo exercícios em casa. 

"Tem sido mais difícil (se exercitar). O que eu faço é ver alguns vídeos na Internet para fazer igual", conta.

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