
Santa Catarina também piorou seu esclarecimento, mas é a terceira do ranking, com 63%, índice de esclarecimento considerado alto. O estado é seguido por Mato Grosso do Sul, que elucidou 67% dos homicídios, índice 8% menor que no ano anterior, quando esclareceu 73%. Já o Distrito Federal lidera o ranking, pois até 2018 tinha esclarecido mais de 90% dos assassinatos ocorridos em 2017.
Entre os estados que apresentaram dados incompletos e sem a qualidade necessária para realizar o cálculo, a maioria está no Norte e Nordeste. São eles: Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Minas Gerais, Pará, Paraná, Piauí, Rio Grande do Sul e Roraima. Entre aqueles que nem ao menos responderam os pedidos feitos pela nossa equipe de pesquisa, todos são das regiões Norte e Nordeste: Amapá, Amazonas, Maranhão, Rio Grande do Norte, Sergipe e Tocantins.
A diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo, lamenta que, apesar de registrar mais de 40 mil homicídios anuais, o Brasil continua sem prestar respostas às milhares de famílias que perdem todos os anos seus entes. “Os resultados da pesquisa mostram que o Estado está falhando ano após ano em responsabilizar os autores de homicídios e, dessa forma, deixa de garantir o direito à vida, à justiça e à memória a milhares de brasileiros”, comenta Carolina.
Além de garantir direito à justiça e responsabilizar o autor, Carolina explica que o esclarecimento dos homicídios permite que se conheça de forma mais precisa qual a dinâmica dos homicídios, as circunstâncias, o perfil do autor e vítima, o contexto por trás do caso. “E esse conhecimento nos ajuda a entender de forma mais precisa o que está por trás dos homicídios no país hoje e, a partir daí, pensar e propor políticas de prevenção, direcionadas para as causas e circunstâncias dessas mortes, medida que previne e não só responsabiliza, o que é muito mais sustentável em termos de segurança pública”, diz.
Para que o Brasil passe a priorizar a investigação de homicídios, o Instituto Sou da Paz propõe, entre outras recomendações, a modernização da gestão, infraestrutura e remuneração das Polícias Civis Estaduais, a garantia da disponibilidade ininterrupta de equipes completas (delegado, investigadores e peritos) para chegada rápida ao local do crime em todas regiões dos estados, além da padronização e integração dos sistemas de informação dos Ministérios Públicos estaduais, conferindo mais transparência à resposta que o estado dá aos crimes contra a vida.




