Primeiras construções na região começaram a ser erguidas nas década de 1940 - Acervo do Museu da Maré
Primeiras construções na região começaram a ser erguidas nas década de 1940Acervo do Museu da Maré
Por RAI AQUINO
Rio - Em seus 80 anos de história, o Complexo da Maré reúne uma diversidade cultural que se expande pelas suas 16 comunidades. Da origem das casas de palafitas em áreas de manguezal às margens da Baía de Guanabara, na década de 1940, às construções de alvenaria, de hoje, o conjunto de favelas na Zona Norte do Rio é pulsante.

"Os moradores, inclusive, rejeitam o termo 'complexo', por passar uma ideia de cidade partida, que a polícia usa para estereotipar a região como complexo", destaca Angélica Ferrarez, doutora em História Política pela Uerj e ex-pesquisadora da Rede da Maré.

Nascida e criada em Vigário Geral, a pesquisadora vê na Maré uma forte presença de intelectuais e artistas dentre os moradores. Para ela, de uma ponta a outra, da Linha Vermelha à Avenida Brasil, a Maré tem de tudo.

"Você tem o Morro do Timbau, que foi um dos primeiros a existir, na década de 1940, em um extremo, e no outro, o Parque União, 20 anos depois", assinala, destacando que o Parque União é considerado o polo gastronômico da região. "É o grande reduto de lazer e de cultura da Maré. Você tem um restaurante com comida nordestina e do lado outro com culinária japonesa".

Para a pesquisadora, outras áreas do conjunto se destacam, como a Vila do Pinheiro, com um parque ecológico e hortas cultivadas pelos próprios moradores, e a Nova Holanda, que, para ela, é a comunidade que "mais dialoga com o Estado". 

Destacando a forte influência de nordestinos entre a população local, Angélica enxerga nos jovens da Maré uma geração antenada e muito conectada.

"Pela juventude, eu definiria a Maré como cyber, uma coisa meio tecnológica, pelos acessos, pela informação que circula muito rápido, pela moda e pelo fato de ser uma comunidade muito urbana. Se eu for pela geração dos pais dessa juventude eu destacaria a Maré pelo Nordeste. Pelos avós, eu vejo a memória da água, do mangue, ainda nos tempos das palafitas", resume a pesquisadora.