Caio Soares foi atingido por uma bala perdida dentro de casa - Arquivo Pessoal
Caio Soares foi atingido por uma bala perdida dentro de casaArquivo Pessoal
Por Beatriz Perez
Rio - A empregada doméstica Maria José, de 49 anos, se despediu cedo na manhã desta segunda-feira do filho Caio Soares, 23. O jovem trabalhava como barman e chegou às 5h em casa, na Rua Miguel de Paiva, próximo ao Túnel Santa Bárbara, no Morro da Coroa, no Catumbi. Havia um baile funk na comunidade com tiros e a mãe chegou a ligar preocupada com os amigos da região. Às 7h15, Caio foi atingido por um tiro no peito, quando iria buscar um suco na geladeira. 
"Eu peço que Deus me conforte, que me dê força e sabedoria para driblar essa situação. Estou sentindo o que não desejo para mãe nenhuma. Uma dor que não passa. A lei natural é a gente enterrar nossos pais. Não o contrário", lamenta.
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Maria José havia saído de casa às 6h15 para trabalhar em uma casa no Flamengo, Zona Sul do Rio, e entre 7h e 8h da manhã recebeu um telefonema de que seu filho havia sido morto. "Um menino novo, cheio de saúde e alegre. Onde chegava, brilhava. Um universitário que perdeu a vida dentro de casa. Caio era um menino muito feliz. Eu vim do Nordeste muito nova. Construí minha família aqui e sempre batalhei pra ele e para a irmã, de 24 anos, tivessem Educação".
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A empregada doméstica disse que já havia presenciado outros episódios de violência no morro, mas que nunca imaginaria perder um filho desta maneira. "A gente nunca acha que nunca vai acontecer com a gente, no quarto", comenta. "Minha filha estava dormindo e ele havia chegado do trabalho. Ele disse que iria tirar um cochilo e que poderia me levar no trabalho. Falei pra ele descansar, dormir no meu quarto que tava com menos barulho do baile", lembra. 
"Estava tendo baile na comunidade e eu estava preocupada porque estava com muito tiro. Liguei pra saber se estava tudo bem, preocupada com um amigo, disseram que sim, respondi que 'Graças a Deus'. Nunca poderia imaginar que a fatalidade estava dentro da minha casa", afirma.
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Caio era estudante de Educação Física e dava aula para alunos idosos em um projeto da UERJ, conta Maria José.
A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que, no início da manhã desta segunda-feira, policiais militares do 4º BPM (São Cristóvão) e 5º BPM (Praça da Harmonia) foram acionados pelo Serviço 190 para verificar relato de que um policial militar teria sofrido uma abordagem criminosa e levado para o interior da comunidade do Morro da Coroa, bairro do Catumbi.
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Assim que as equipes chegaram às vias de acesso à comunidade, criminosos dispararam tiros do alto do Morro da Coroa em direção aos policiais, que reagiram. Após o confronto, as equipes não confirmaram a informação de que um policial teria sido levado por criminosos.
Ainda nesta manhã, o 5°BPM recebeu um chamado devido a um homem que estaria ferido e em óbito na Rua Miguel de Paiva. No local, o fato foi constatado e a área foi isolada para perícia.
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A Delegacia de Homicídios da Capital foi acionada e a investigação está em andamento.
O velório de Caio está previsto para começar às 14h30 desta terça-feira. Ele será enterrado às 15h30 no Cemitério do Catumbi, na capela 1.
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A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SEDSODH), por meio da Subsecretaria de Vitimados, informou que ofereceu atendimento psicológico e social para a família do Caio. A equipe está em contato com os parentes do jovem e segue acompanhando o caso.