Luís Fernando Rego morou na comunidade Nova Brasília - Stella Ribeiro / Divulgação
Luís Fernando Rego morou na comunidade Nova BrasíliaStella Ribeiro / Divulgação
Por RAI AQUINO
Publicado 21/10/2020 06:00 | Atualizado 21/10/2020 12:48
Rio - Quando na infância percorria as ruas do Complexo do AlemãoLuís Fernando Rego não imaginava que anos depois se mudaria dali para fazer parte de uma das maiores companhias de balé do mundo. Hoje, o jovem de 19 anos agradece o que aprendeu na favela Nova Brasília, que o levou à única escola do Teatro Bolshoi no Brasil, em Joinville, Santa Catarina.
O bailarino conseguiu entrar para a companhia russa depois de fazer parte do projeto social ViDançar, que forma bailarinos no conjunto de favelas da Penha, na Zona Norte do Rio. Além de encarar obstáculos financeiros, Luís também teve que lidar com o preconceito.
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"No início, eu não sabia de que forma meus pais iriam reagir ao saber que eu queria fazer balé. Mas eles acabaram se revelando como as pessoas que mais me apoiaram e até hoje se orgulham de mim", destaca.

Galeria de Fotos

O bailarino entrou para o Bolshoi em 2016 Divulgação / Alinne Volpato
O bailarino entrou para o Bolshoi em 2016 Divulgação / Alinne Volpato
Luís Fernando Rego morou na comunidade Nova Brasília, no Alemão, onde se apaixonou pelo balé Stella Ribeiro / Divulgação
O bailarino entrou para o Bolshoi em 2016 Divulgação / Evgeny Makarov
Luís chegou a passar pela escola de dança do Theatro Municipal Arquivo Pessoal
O bailarino entrou para o Bolshoi em 2016 Divulgação / Escola de Teatro Bolshoi
O bailarino entrou para o Bolshoi em 2016 Divulgação / Escola de Teatro Bolshoi
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Luís teve sua primeira experiência com a dança aos 14 anos, quando levava a irmã, na época com nove, para o ViDançar. Os movimentos que a caçula da família fazia no projeto o fascinavam.
"Eu sempre ficava parado na escada, olhando as aulas, e me apaixonei assistindo tudo aquilo", conta o bailarino, dizendo que hoje a irmã não pensa mais na dança, enquanto ele não vive sem ela.
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AUDIÇÃO
Luís evoluiu rapidamente depois que entrou no ViDançar. Com o talento que mostrou de cara, logo foi convidado para ser ouvinte da escola de dança do Theatro Municipal. Lá, teve contato com grandes nomes da dança do país, como Ana Botafogo.
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Um ano depois, quando o Bolshoi veio ao Rio fazer uma seleção para futuros alunos, o então morador do Alemão não perdeu tempo e se inscreveu na audição. Ao ser aprovado, Luís viu mais um grande desafio em sua vida: como se mudar para outro estado sem ter condições financeiras?
"Foi a maior emoção, mas eu não tinha o dinheiro da passagem e nenhuma estrutura", relembra, dizendo que uma família de Joinville que morou no Alemão o ofereceu abrigo, sem lhe cobrar nada.
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CARTEIRA ASSINADA
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Durante os três anos de curso no Bolshoi, Luís aperfeiçoou tanto sua dança, que foi contratado e hoje faz parte da companhia jovem da escola. Lá, ele ensaia de segunda a sexta, cerca de 10 horas por dia.
É o primeiro emprego com carteira assinada do bailarino, que agora divide um apartamento com um amigo do balé. Hoje, a distância da família é o maior obstáculo de sua carreira.
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"Já teve momentos que eu falei que iria desistir, que iria voltar para o Rio, mas foi quando eu precisei trabalhar ainda mais e amadurecer. Em situações como essas, você precisa estar muito preparado, com a cabeça forte para não se deixar levar, porque aparecem muitas coisas para poder te derrubar", avisa.
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PARTIU DINAMARCA?
Nesses quatro anos desde que saiu do Alemão, Luís voou mais alto do que para Santa Catarina. Em 2016, ele viajou à Califórnia, nos Estados Unidos, após participar de um documentário. Mais recentemente, no final de julho deste ano, se submeteu à uma audição na Tivoli Ballet Skole, na Dinamarca. Ele aguarda o resultado para saber se sua próxima parada será no país europeu.
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"Todo bailarino quer ser primeiro bailarino de alguma companhia, e eu não sou diferente. Quero estar em um lugar onde eu possa encantar e levar a minha arte para outras pessoas", projeta.
O jovem sabe da importância dos primeiros passos de dança que deu ainda no Alemão, para hoje poder sonhar com um futuro promissor.
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"Projetos com o ViDançar são muito importantes, principalmente em comunidades, já que é muito fácil um jovem da minha idade se perder. Hoje, sou muito grato por ter crescido no Alemão e ter encontrado o projeto. Ele me deu muita força de vontade para eu conseguir ter uma perspectiva de vida", comemora.