Rio de Janeiro - RJ  - 20/10/2020 - Geral -  Situaçao do comercio no centro do Rio - na foto, lojas fechadas, na Rua Ramalho Ortigao, no centro do Rio - Foto Reginaldo Pimenta / Agencia O Dia - Reginaldo Pimenta / Agencia O Dia
Rio de Janeiro - RJ - 20/10/2020 - Geral - Situaçao do comercio no centro do Rio - na foto, lojas fechadas, na Rua Ramalho Ortigao, no centro do Rio - Foto Reginaldo Pimenta / Agencia O DiaReginaldo Pimenta / Agencia O Dia
Por Yuri Eiras
Publicado 26/10/2020 07:00 | Atualizado 27/10/2020 12:11

João do Rio, apaixonado por caminhar sem rumo pela cidade, não reconheceria a Rua do Ouvidor se passasse por ela em 2020. Morto há 99 anos, o escritor viveu os tempos de "movimento febril" na região, como descreveu no livro 'A Alma Encantadora das Ruas'. Hoje, um século e duas pandemias depois - a gripe espanhola atingiu a cidade em 1919 -, a Ouvidor lembra uma cidade pós-guerra, com dezenas de lojas fechadas e placas de 'aluga' nas construções centenárias. O Centro do Rio não será o mesmo depois do coronavírus.

A Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro registrou quase 6 mil empresas fechadas no Município do Rio, de março a outubro: 5.469 matrizes e 311 filiais, segundo dados contabilizados a pedido de O DIA. Entre os lojistas, a opinião é que a crise já existia antes, mas piorou com a covid. O imóvel da Rua do Ouvidor 146 estava prestes a ser alugado depois de meses de tentativa, mas a quarentena não deixou o negócio avançar. "A gente tinha acabado de alugar para uma clínica de produto estético e foi no início da pandemia. O comprador viu que não ia conseguir dar conta", explica Maria das Neves, representante.

A tradicional Casa Assuf, especializada em vestidos de noiva e tecidos finos, não fechou as portas, mas reduziu a jornada e apostou na venda de tecidos mais populares. "Nossas vendas caíram 50%. Melhora aos poucos, um dia por vez", comenta 'Seu Ramos', supervisor há 42 anos - a loja tem 78. "Vestido de noiva já vinha caindo. Acho que é o poder aquisitivo, a pessoa passa a casar com o vestido da mãe, da avó. Agora, estamos nos reinventando com venda de tecidos populares, como cambraia, linho e tricoline".

Na sapataria Scarpia, na Rua Uruguaiana, o gerente Jair Gonçalves perdeu metade da clientela. "Agora é torcer para não vir outra onda. Se vier, acho que as lojas não vão aguentar. Até porque a internet está matando o comércio".

'Seu' Jair, gerente na Uruguaiana, torce para não vir outra onda - Reginaldo Pimenta / Agencia O Dia
'Seu' Jair, gerente na Uruguaiana, torce para não vir outra ondaReginaldo Pimenta / Agencia O Dia

VLT segue com demanda reduzida

Boa parte do comércio do Centro do Rio é alimentado pelos próprios trabalhadores da região. Como algumas empresas seguem adotando a redução da jornada ou home office pelo risco da Covid-19, a recuperação dos clientes ainda não é a ideal. Esse é o cenário do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), que nem de longe recebe o mesmo número de passageiros pré-pandemia.

"Em relação à movimentação de passageiros, foi observada uma queda acentuada a partir de março, com o início das medidas de restrição de circulação. Desde junho, com a reabertura, há uma recuperação gradual da demanda, mas ainda em patamares bem inferiores ao período pré-pandemia", afirmou o serviço, em nota.

Prefeitura fará centro para população de rua

Quem passa pelo Centro do Rio observa o aumento cotidiano da população de rua, principalmente na Avenida Almirante Barroso e na Avenida Presidente Vargas. Na próxima semana, secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos e o Instituto Pereira Passos (IPP) farão o Censo de População em Situação de Rua 2020, para ter dados mais precisos sobre a questão. A secretaria afirma ter feito mais de 73 mil atendimentos a pessoas em situações de rua na cidade. Durante a pandemia, a Prefeitura abriu oito abrigos para a população mais vulnerável. De março até a última segunda-feira, 10.788 acolhimentos foram realizados.

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