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Do monóculo ao clique no celular: as boas memórias não desbotam

Ensaio promove volta ao tempo pela fotografia analógica, da época dos negativos, até os dias atuais

Por ANA CARLA GOMES
Num dos vários monóculos que ainda guardamos em casa, através de uma película em cromo, vejo uma linda imagem da minha mãe, bem jovem, com os cabelos na altura dos ombros e sorrindo. Ela, que se dedicou ao Magistério e foi professora de Português, está sentada de blusa amarela atrás de uma mesa. Há um livro aberto e suas mãos estão entre as folhas. Há, ainda, outros dois livros à esquerda, um globo terrestre à direita e uma placa escrita: "Educandário 25 de Agosto", numa referência a um bairro de Duque Caxias.

Minha reação ao ver a imagem foi: "Que linda!". Fiquei pensando que isso equivale agora às curtidas e aos comentários das redes sociais nos cliques que conferimos instantaneamente no celular. Fazemos uma foto e já miramos a tela para ver como ficamos, se pegou o nosso melhor ângulo, a melhor expressão, o melhor sorriso. Detalhes tão pequenos de nós mesmos. Ali, num toque, já temos a opção de ajustar brilho, contraste, colocar filtro e tudo mais...

Quando entrei no jornal, em fevereiro de 1998, lembro que havia um laboratório fotográfico no prédio. Meu amigo Macarrão costuma dizer que admira os fotógrafos das antigas porque eles saíam com o filme de poses contadas e tinham que dar conta do recado.

A geração dos meus sobrinhos não imagina o que é ter 24 ou 36 poses contadas. Sem saber se elas ficariam boas ou não. Recursos de edição, nem pensar. No filme do tempo, vão passando pela minha cabeça tantas histórias... Sempre curti festa em que a gente podia tirar fotos e levá-las de recordação. E sabe aquelas cabines onde entram umas três pessoas, que vão fazendo poses totalmente aleatórias?

Também adoro, de vez em quando, pegar álbuns antigos, com as fotos já amareladas, desgastadas e ficar revendo lembranças. Mas as imagens só desbotam mesmo no papel porque, quando o momento vale a pena, ele fica sempre bem vivinho e colorido na memória.
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