Painel Unificador lança campanha de conscientização da Covid-19 - Gracilene Firmino / ANF
Painel Unificador lança campanha de conscientização da Covid-19Gracilene Firmino / ANF
Por O Dia
Rio - O Painel Unificador Covid-19 nas Favelas lança, nesta segunda-feira, nas redes sociais a campanha e o vídeo para a conscientização da população sobre a importância do acesso a dados sobre a situação real da pandemia nas comunidades, e convida o público a declarar seus próprios casos da covid-19. A campanha tem como objetivo conscientizar sobre a importância da produção e o uso de dados para informar e construir políticas públicas de enfrentamento à pandemia nas favelas e demais partes da cidade.
O Painel foi lançado em julho em resposta à subnotificação de dados sobre a covid-19 nas comunidades do Rio, e hoje contempla dados de 185 favelas. O projeto é realizado por uma rede de 20 coletivos, organizações e iniciativas engajadas com a prevenção e documentação da pandemia nos territórios. 

O projeto fornece dados através de quem está dentro das comunidades e valoriza o poder de engajamento e o trabalho dos coletivos e moradores das favelas. O vídeo da campanha, lançado nesta manhã, foi produzido pelo Laboratório de Audiovisual do Jacaré, LabJaca, um dos coletivos parceiros do projeto.

"Desde março, o Brasil passa não só por uma pandemia, mas por uma pandemia dentro da pandemia. Em um país tão desigual como o Brasil, a Covid-19 reproduz mais desigualdades dentro das desigualdades já existentes… Então, a partir de classe social, cor, raça e gênero, as pessoas estão passando por pandemias próprias", afirma Tatiana Lima, comunicadora da Comunidades Catalisadoras (ComCat).
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No vídeo, filmado no Jacarezinho, na Zona Norte, os integrantes do Painel mostram como a checagem da epidemia pelos próprios grupos nas favelas tem ajudado a superar o déficit de informação sobre o coronavírus nas regiões. A proposta da campanha é convidar mais moradores a participarem da iniciativa, podendo realizar a autoavaliação de seus sintomas através do Painel e assim notificar os casos.

Douglas Heliodoro, articulador do Conexões Periféricas de Rio das Pedras, explicou que as faltas de ações públicas impactam principalmente na população mais pobre. "Essa falta de ações efetivas do governo, principalmente do governo federal, tem impactado bastante a população mais pobre que precisa trabalhar, que precisa sobreviver. O número de mortes nas favelas tem a ver com essa desigualdade social e com essa presença seletiva do Estado, que só se faz presente, infelizmente, a partir da polícia nesses espaços e territórios".
Desde julho o Painel Unificador busca novas fontes de dados favela por favela, sejam essas fontes públicas ou de relatoria local. Bia Carvalho, idealizadora do Mulheres de Frente em São João de Meriti, explica: "A partir do momento que eu tenho a oportunidade de entrar na casa de algum parente favelado e fazer essa articulação, e pedir que eles preencham aquele dado, é melhor. A internet, ela não chega na favela e quando chega, é de forma precarizada. Então, essa articulação é feita com vários braços".

Renata Gracie, do Icict/Fiocruz, fala: "O Painel Unificador das Favelas começou como uma necessidade levantada em reuniões da ComCat [com comunicadores e lideranças comunitárias], porque muitas pessoas estavam apontando a presença de casos de óbitos nas área de favelas no Rio de Janeiro. Existia pouca visibilidade para essas informações. Para a sociedade civil poder cobrar do poder público, precisamos ter a informação, e quanto mais precisa for essa informação, melhor será para as tomadas de decisões conjuntas”.

O último levantamento realizado pelo Painel Unificador Covid-19 nas Favelas, no último dia 23, que acompanha até agora 72 favelas e complexos da Região Metropolitana do Rio (185 favelas individuais), informa 17.883 casos e 2.223 óbitos de moradores de comunidades.