
O projeto fornece dados através de quem está dentro das comunidades e valoriza o poder de engajamento e o trabalho dos coletivos e moradores das favelas. O vídeo da campanha, lançado nesta manhã, foi produzido pelo Laboratório de Audiovisual do Jacaré, LabJaca, um dos coletivos parceiros do projeto.
"Desde março, o Brasil passa não só por uma pandemia, mas por uma pandemia dentro da pandemia. Em um país tão desigual como o Brasil, a Covid-19 reproduz mais desigualdades dentro das desigualdades já existentes… Então, a partir de classe social, cor, raça e gênero, as pessoas estão passando por pandemias próprias", afirma Tatiana Lima, comunicadora da Comunidades Catalisadoras (ComCat).
Douglas Heliodoro, articulador do Conexões Periféricas de Rio das Pedras, explicou que as faltas de ações públicas impactam principalmente na população mais pobre. "Essa falta de ações efetivas do governo, principalmente do governo federal, tem impactado bastante a população mais pobre que precisa trabalhar, que precisa sobreviver. O número de mortes nas favelas tem a ver com essa desigualdade social e com essa presença seletiva do Estado, que só se faz presente, infelizmente, a partir da polícia nesses espaços e territórios".
Renata Gracie, do Icict/Fiocruz, fala: "O Painel Unificador das Favelas começou como uma necessidade levantada em reuniões da ComCat [com comunicadores e lideranças comunitárias], porque muitas pessoas estavam apontando a presença de casos de óbitos nas área de favelas no Rio de Janeiro. Existia pouca visibilidade para essas informações. Para a sociedade civil poder cobrar do poder público, precisamos ter a informação, e quanto mais precisa for essa informação, melhor será para as tomadas de decisões conjuntas”.
O último levantamento realizado pelo Painel Unificador Covid-19 nas Favelas, no último dia 23, que acompanha até agora 72 favelas e complexos da Região Metropolitana do Rio (185 favelas individuais), informa 17.883 casos e 2.223 óbitos de moradores de comunidades.




