Nilton diz que prisão do caçula foi forjada - Arquivo Pessoal
Nilton diz que prisão do caçula foi forjadaArquivo Pessoal
Por Carina Petrenko*
Rio - Rafael Santos Maciel, de 19 anos, foi preso no dia 16 de outubro de 2020 por policiais militares na comunidade do Badu, em Niterói, que o acusaram de tráfico de drogas. O DIA conversou com o irmão do meio de Rafael, Nilton Santos Maciel, que afirma que o jovem foi preso injustamente e que a família não tem relação com o tráfico.

De acordo com o depoimento da polícia, foi apreendida uma mochila, que supostamente estaria com o rapaz, e dentro havia uma pistola pequena de calibre não definido, sem munição, além de R$ 45, um rádio "ligado na frequência do tráfico", 215 unidades de "erva seca", 150 unidades de cocaína, além de 26 pedras de crack. Familiares afirmam que o rapaz não usava nenhuma mochila e que durante o confronto entre os traficantes e a polícia, Rafael estava em casa.

"Não, ele não estava com nenhuma mochila, na verdade ele estava em casa na hora da troca de tiros, a gente tem um print aqui da conversa na hora que a polícia já estava na comunidade, e só para ele chegar no local seriam 30 minutos andando", conta Nilton. "Não temos vínculo com nenhum tráfico", completa.

Nilton disse que na hora que Rafael havia chegado à comunidade, os bandidos já haviam fugido. Ele ainda conta que o irmão, que trabalha desde março de carteira assinada na empresa Hortifruti, ficou desempregado por um ano e meio e questiona: "Se em um ano e meio que ele ficou desempregado ele não se associou ao tráfico, por que ele faria agora, trabalhando de carteira assinada?"

O irmão ainda conta como descobriu da prisão de Rafael. Nilton disse que saiu mais cedo do trabalho no sábado, um dia após a prisão de Rafael, onde passou por um bar dentro da comunidade e comentou que o rapaz estava desaparecido. O dono do bar, que conhece e já contratou Rafael para trabalhar de ajudante de pedreiro, disse a Nilton que no dia anterior a polícia havia passado com um jovem. Nilton e Leandro, irmão mais velho de Rafael, foram a delegacia e então descobriram onde Rafael estava. "Trataram a gente bem mal, chamaram meu irmão de vagabundinho, traficante", finaliza.

Operação da Polícia Militar

Em depoimento na 79º DP (Jurujuba), um policial militar do Batalhão de Choque que participou da operação disse que ele e outros PM's foram alertados por moradores sobre criminosos armados na região. Ao entrarem na comunidade, o agente afirmou que a equipe avistou seis criminosos armados na rua Guilhermina Bastos.

O PM conta que a equipe foi recebida com tiros e houve confronto. Também foi relatado que ao deixar a comunidade, uma viatura da PM foi atingida no teto. Nenhum agente ficou ferido e que "não tem como afirmar que Rafael foi o autor dos disparos".
Polícia Civil

De acordo com a Polícia Civil, Rafael foi autuado por associação ao tráfico de drogas, tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo. O inquérito, informou a corporação, já foi encaminhado à Justiça.
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*Estagiária sob supervisão de Cadu Bruno