Pastor Elisamar Miranda, candidato a vereador, foi preso - Divulgação
Pastor Elisamar Miranda, candidato a vereador, foi presoDivulgação
Por O Dia
Rio - Um pastor foi preso na manhã desta segunda-feira apontado como o chefe do tráfico de drogas do Complexo do Roseiral, em Belford Roxo. Elisamar Miranda Joaquim concorria ao cargo de vereador do Município da Baixada Fluminense nas eleições deste ano pelo PDT.
O homem foi preso na Operação Itália realizada pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) e pelo Ministério Público do Rio (MPRJ). A ação tinha como objetivo cumprir 10 mandados de prisão e 61 de busca e apreensão. Além de Elisamar, outros dois suspeitos foram presos: um deles foi identificado como Leone da Silva Souza, apontado como braço direito de Cremilson Almeida de Souza, o Coroa.
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Elisamar é irmão de Eliezer Miranda Joaquim, o Criam, uma das lideranças da facção Comando Vermelho em Belford Roxo. O homem, que foi preso no ano passado, continuava mandando nas atividades do tráfico no Complexo do Roseiral.
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“Eliezer, vulgo Criam, é integrante da cúpula da facção mais perigosa do Rio de Janeiro. Ele que é efetivamente o dono daquela comunidade”, diz o delegado Moysés Santana, titular da DHC e responsável pelas investigações.
Segundo a polícia, quando Cremilson Almeida de Souza foi preso em março deste ano, durante as investigações, Eliezer assumiu o controle do Roseiral. Contra ele havia 18 mandados de prisão, sendo alguns por homicídios de dois policiais militares e um bombeiro.
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Após a prisão de Coroa, Eliezer assumiu o controle e ele também foi preso. Ele, então, colocou seu irmão Elisamar no comando da comunidade. O pastor tinha como seus aliados: Ronaldo Lisboa, o Gordinho, apontado como o gerente dos condomínios; e Jonata Gomes da Silva, o Tobinha ou Paraíba, que seria o gerente do tráfico de drogas. Os dois foram denunciados na operação de hoje.
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Pastor, chefe do tráfico e candidato a vereador
As investigações indicaram que o plano de eleger Elismar vereador é uma estratégia de Criam e da facção Comando Vermelho, com objetivo dos criminosos terem maior penetração e influência nas instituições públicas.
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"É um planejamento da facção, eles já haviam... Um outro, que se encontra foragido, o Ronaldo Lisboa [o gerente dos condomínios] já havia se candidatado na outra eleição e não se elegeu, e agora, o Elisamar vinha tentando e todos os integrantes da facção. É um projeto de poder da facção de tentar colocar um membro entranhado ali nas repartições públicas”, destacou o delegado Moysés Santana.
Ainda segundo Santana, Elisamar usou toda a estrutura da associação criminosa para angariar votos, além de ameaçar e oprimir outros candidatos de fazerem campanha na região.
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“Nós vimos que não tinha campanha e panfletagem de outro candidato que não fosse o Elisamar”, destaca o delegado. "Ele vinha coagindo e inibindo qualquer outro candidato a vereador de atuar naquela localidade", completa.
De acordo com as investigações, um dos denunciados por constituir a narcomílicia, Darley Soares de Souza, conhecido como Tatá, era o patrocinador da campanha eleitoral do pastor Elisamar.
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Narcomílicia
Por meio de interceptações telefônicas, autorizadas pela Justiça, foi possível a Policia Civil identificar o modo de atuação do grupo, que incluía a prática de extorsões e ameaças, além de desvendar a hierarquia de funcionamento da organização, com a identificação das funções exercidas por cada um dos participantes.
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Segundo as investigações, o grupo além de controlar o tráfico de drogas também passou a desempenhar atividades típicas de milícia, como extorsão de comerciantes, monopolização da venda de cestas básicas, água e gás, cobrança de “taxa” de motoristas de vans, para que estes pudessem circular livremente pela localidade, e principalmente exploração dos moradores dos conjuntos habitacionais. Caso eles não pagassem primeiro tinham seus fornecimentos de água cortados e em último caso eram expulsos de suas propriedades.
“Nós identificamos que os envolvidos estavam desempenhando atividades típicas de milícia. Eles montaram um esquema no qual eles extorquiam moradores. Taxas naqueles condomínios do Minha Casa, Minha Vida. Caso não pagassem tinham sua água cortada e em último caso eram até expulsos. Eles colocavam amigos e familiares para habitarem esses apartamentos, além disso monopólio da venda de água, gás, luz e internet, o 'gatonet', e também cobrança de taxa de ponto de vans”, conta o delegado.
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Denunciados da operação
Cremilson Almeida de Souza, conhecido como 'Coroa', apontado como chefe do tráfico no Roseiral e também na comunidade Lote XV, que foi preso pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense em março deste ano. De acordo com as investigações, deste modo, o controle do tráfico naquela comunidade e adjacências passou a ser exercido por Eliezer Miranda Joaquim, o 'Criam' que, também preso, elegeu como homem de confiança seu irmão Elisamar Miranda Joaquim, o 'Pastor Elisamar'.
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O pastor, candidato a vereador em Belford Roxo nas eleições deste ano, passou então a exercer o controle do tráfico no local, sob os desígnios do irmão, segundo a polícia. Ele e os outros suspeitos presos, junto a Ronaldo Lisboa Azevedo, o 'Gordinho', Jonata Gomes da Silva, o 'Tobinha' ou 'Paraíba', e Leone da Silva Souza, compõem o grupo principal de denunciados, pelas funções de relevância que exerciam.
Completam a lista de denunciados Marcus Vinicius Maia de Melo ('Vinicius'), Guilherme Caíque Santos Silva ('Babuíno' ou '2b'), Igor Assunção Ramos ('Ch' ou 'Cachorrão'), Diego da Silva Freire ('DG'), Esmael Flavio Vieira da Silva, Gabriel Timóteo de Andrade ('GB'), Wirlley dos Santos ('Jamaica'), Rodrigo da Silva Ferreira ('Neguinho'), Bruno de Souza, Alexandre Lopes De Oliveira ('Baiano'), Darley Soares de Souza ('Tatá'), Thais Martins Leite da Silva, Ingrid da Costa dos Santos, Lidia Guimaraes Lima Alves, Jurandir do Nascimento da Silva e Alexandre Aleixo dos Reis ('Xandão').