
A denúncia é um desdobramento da operação Ingenium, deflagrada em setembro de 2017 a partir da constatação, por meio de escutas telefônicas, que oficiais e praças do Corpo de Bombeiros formaram quadrilhas para cobrar valores de empresários e legalizar, de forma fraudulenta, seus negócios junto à corporação.
De acordo com a denúncia, Jonas e Thiago atuavam na engenharia do quartel, responsável pela emissão dos certificados. Jonas era comandante do setor e subcomandante do batalhão, enquanto Thiago fazia vistorias nos imóveis, indicando irregularidades e pendências que, quando constatadas, serviam de parâmetro para indicar o valor da propina a ser cobrado. Já Alex, que ocupava o cargo de comandante do 4º GBM, permitia que as atividades criminosas do grupo funcionassem sem interferências, recebendo parte dos lucros ilícitos.
Por meio de escutas autorizadas judicialmente, foi constatada a existência de uma negociação ocorrida no dia 11 de agosto de 2016 entre Jonas e Ataide, que pela empresa Hozeq Comércio de Materiais de Segurança e Construções, intermediou a negociação entre os bombeiros e os proprietários dos três estabelecimentos que receberam os CAs.
Conhecedores dos trâmites e articulados entre si, os bombeiros ajustaram com Ataide a liberação dos certificados referentes ao Mercado Turbo 1000, MR 2020 e Galpão Duque Meyer em troca do pagamento de propina, embora os imóveis não cumprissem as exigências fixadas na legislação de segurança contra incêndio e pânico.
Em seus pedidos, requer o MPRJ que, além das penas relativas aos crimes de corrupção e integração de organização criminosa, seja proferida decisão condenatória decretando a perda do cargo dos bombeiros militares e a interdição para o exercício de função ou cargo público pelo prazo de oito anos.




