Rio de Janeiro 07/01/2021 - A volta aos trabalhos no Barracão do GRES Unidos do Viradouro. Foto: Luciano Belford/Agencia O Dia - Luciano Belford/Agencia O Dia
Rio de Janeiro 07/01/2021 - A volta aos trabalhos no Barracão do GRES Unidos do Viradouro. Foto: Luciano Belford/Agencia O DiaLuciano Belford/Agencia O Dia
Por Gabriel Sobreira
Rio - O ritmo dos preparativos para o Carnaval 2021 combina com a marchinha 'Até Quarta-Feira' ('Este ano não vai ser/ Igual àquele que passou'), de autoria de Humberto Silva e Paulo Sette. A pouco mais de um mês para a data oficial da folia, que foi adiada para 11 e 12 de julho, algumas escolas do Grupo Especial ouvidas pelo O DIA vivem um momento antes jamais imaginado nessa época do ano. Ao invés dos barracões cheios, finalizações das decorações das últimas alegorias e o frenesi intenso de ensaios em carro, de peça, encaixe, composição e componentes coreografados, entre outros. O espaço está praticamente irreconhecível. 
"Os trabalhos estão praticamente parados. Estamos somente com o protótipo. Fora isso, estamos mexendo com a parte de criação, desenho de carro, que tem profissionais fazendo de casa, eles vão ao barracão para tirar as dúvidas com o carnavalesco", explica Alex Fab, diretor de Carnaval da Viradouro, que é a campeã do Carnaval 2020 e a quinta a desfilar no dia 11 de julho.
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A Vermelho e Branco de Niterói tem dez colaboradores trabalhando, com distanciamento e Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), no barracão da escola na Cidade do Samba, das 8h às 15/16h, executando o protótipo, que vem a ser a base-piloto para a reprodução das alas. "O enredo é 'Não há tristeza que possa suportar tanta alegria'. Conta a história do carnaval de 1919, pós-pandemia da gripe espanhola, e que foi tido como o maior carnaval do século passado", narra com orgulho Fab.
DEMAIS ESCOLAS TAMBÉM DESACELERADAS
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O barracão da Azul e Branco de Madureira está parado. A agremiação, que desfila dia 12 de julho, vai retratar a simbologia dos baobás, as árvores gigantescas e milenares originárias da África. "Estamos esperando a primeira parcela do pagamento da TV Globo para começar o trabalho dos protótipos. Quando começar a entrar a receita, preparamos tudo, mas como não tem, não começamos, não podemos contratar o ferreiro, carpinteiro", avisa Fábio Pavão, vice-presidente da Portela. Neste domingo, os 20 sambas-enredos concorrentes iniciam uma disputa transmitida no canal do YouTube da escola de samba.
A Imperatriz Leopoldinense, que abre os desfiles no dia 11 e homenageará o carnavalesco Arlindo Rodrigues, tem um barracão organizado para o início da produção do Carnaval 2021. "No nosso barracão somente estão trabalhando a Administração, diretor de carnaval e o assistente da carnavalesca três vezes na semana. Os outros dias em home office. Os trabalhos estão em andamento para o Carnaval em julho concluindo o figurino", conta Cátia Drumond, presidente executiva da agremiação.
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Quem está terminando os últimos ajustes e se preparando para partir para a execução do trabalho de Carnaval é o Salgueiro, que trará todas as formas de ‘Resistência’ como enredo este ano. O diretor de Carnaval da escola, Alexandre Couto, não dá detalhes, mas afirma que a escola está "andando bem, seguindo o cronograma e trabalho da melhor forma possível". A agremiação é a terceira a entrar na Avenida no dia 11.
A Grande Rio, penúltima a desfilar no dia 12, afirma que os trabalhos de Barracão efetivamente não começaram ainda. "Estamos na fase de criação artística e planejamento de atividade", diz Thiago Monteiro, diretor de Carnaval da Tricolor de Caxias, que desfila no dia 12 de julho. A escola trará o enredo 'Fala, Majeté! Sete Chaves de Exu', sobre o orixá cultuado nas religiões de matriz africana Candomblé e Umbanda.
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"O projeto está pronto, as ações definidas, o processo de disputa de samba já foi iniciado, para tão logo iniciem os trabalhos de confecção de fantasias e construção de alegorias", afirma Monteiro.
DESAFIOS DO CARNAVAL EM TEMPO DE PANDEMIA
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Os representantes das escolas concordam que este é/será um Carnaval atípico cercado de inúmeras incertezas. Para Alex Fab, diretor de Carnaval da Viradouro, o maior desafio é ter condições de montar esse Carnaval. Além das preocupações com as questões sanitárias e de apoio financeiro, considera outra questão.
"O comércio foi afetado. Os fornecedores estão sendo muito afetados. A gente pode ter dinheiro e não ter material para comprar. É um processo que demanda uma organização em conjunto. A gente não pode pensar só em um lado. Pode ter vacina, precisamos de apoio financeiro, precisamos de materiais/fornecedores. Não dá para olhar só para a vacina e para o apoio financeiro. É preciso olhar também para esse processo criativo que passa por esses materiais", frisa Fab.
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O diretor de Carnaval da Grande Rio, Thiago Monteiro, divide as mesmas preocupações. "Tem que considerar que não só as escolas foram atingidas com isso tudo, mas também nossos fornecedoras. Algum, sabemos que estão lamentavelmente passando por grandes dificuldades em manter seus estoques e seu fluxo de caixa. Será algo desafiador para todos. Precisaremos ser resilientes e ter calma para tomar as decisões corretas", pontua ele.
De olho nessa questão, a Vermelho e Branco da Tijuca está com uma iniciativa para tentar minimizar um pouco os efeitos do impacto da pandemia em seus fornecedores.
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"Além de preparar tudo esperando que a vacina chegue e seja eficaz para preservar tanto o público como o desfilante, superar a falta de verba e, possivelmente de materiais. Por isso estamos trabalhando muito com a reciclagem, preservando nossa mão de obra e nos esforçando ao máximo para manter todo o protocolo vigente no combate à covid-19", diz Alexandre Couto, diretor de Carnaval do Salgueiro.
Para Fábio Pavão, vice-presidente da Portela, em tempos sem pandemia, o barracão estaria em fase final de produção de fantasias e alegorias, concluindo decoração, entrando iluminação. "Teria multidão trabalhado, correria, todo mundo achando que não vai dar tempo e acaba dando, equipes se alternando, carpinteiro, escultor. É triste passar pela Cidade do Samba hoje e ver tudo parado. Entendemos que é uma situação temporária e, quando for possível trabalhar visando esse Carnaval de julho, vamos com tudo", promete ele.
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Procurada, a Riotur afirma que vai estar completamente à disposição para realizar o Carnaval em julho, mas que esta é uma decisão da Saúde. Em relação aos feriados da festa, o Governo do Rio diz que ainda não tem nada definido, mas que uma decisão sairá no Diário Oficial nas próximas semanas.
Ordem de desfiles:
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Domingo (11 de julho)
  • Imperatriz
  • Mangueira
  • Salgueiro
  • São Clemente
  • Viradouro
  • Beija-flor
Segunda (12 de julho)
  • Paraíso do Tuiuti
  • Portela
  • Mocidade
  • Unidos da Tijuca
  • Grande Rio
  • Vila Isabel