Operação mira traficantes e empresa de internet suspeita de ligação com o tráfico de drogas
Operação mira traficantes e empresa de internet suspeita de ligação com o tráfico de drogasReginaldo Pimenta/ Agência O DIA
Por Anderson Justino
Rio - Denunciada pelo jornal O DIA em outubro de 2019, a empresa prestadora de serviços de internet Net & Com foi um dos alvos da operação da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual, realizada nesta quinta-feira (25) em Niterói e na capital fluminense. A operação Mickey, cumpriu 18 mandados de prisão e 12 de busca e apreensão contra traficantes que exploravam casas de prostituição e impunham um sinal de internet clandestino nas áreas controladas pelo Comando Vermelho. Dos denunciados, dez já estavam presos. 
Segundo investigações, iniciadas há dois anos na 76ª DP (Niterói), os proprietários da  Net & Com negociavam diretamente com traficantes um acordo de excluvidade para atuar em determinadas comunidades. Policiais civis e promotores do MPRJ estiveram na sede da empresa, no Estácio e no apartamento de um dos proprietários, em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca. 
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"Eles ofereciam um acordo de exclusividade e trabalhavam em parceria com o tráfico de drogas. Para que essa empresa entrasse nas comunidades, o tráfico teria que expulsar todas as concessionárias que prestavam serviço ali", explicou a delegada Camila Pegorim, que no início das investigações atuavam como assistente na delegacia de Niterói.   
Segundo a delegada, as investigações eram para identificar os principais traficantes que atuam nas comunidades de Niterói. No entanto, escutas telefônicas autorizadas pela justiça identificaram a ligação entre os responsáveis pela Net & Com com os traficantes. 
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O Ministério Público diz que esses laços entre líderes do tráfico de drogas e a empresa de internet é considerado como "uma verdadeira parceria empresarial e clandestina", que rendia cerca de R$ 500 mil mensais. 
CRIMINOSOS IDENTIFICADOS
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A Polícia Civil identificou uma rede de conexão entre traficantes das principais comunidades de Niterói que negociavam entre si a venda de drogas, armas e munições.
Os traficantes denunciados são: Carlos Vinícius Lírio da Silva, conhecido como "Cabeça". Segundo a polícia, ele lidera o tráfico de drogas no Morro do Mic, que deu origem ao nome da operação, localizado na Ilha da Conceição. Outro denunciado na mesma comunidade é Flavio Simões Brasil, o Narigudo. Cabeça e Narigudo também são apontados como chefe do tráfico na favela do Sabão, no bairro São Lourenço. Ryan Nóbrega Jubim, o Du Flamengo, gerencia a comunidade a pedido da dupla.
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Raphael Conceição de Souza, vulgo Lutador, é apontado como responsável da venda de drogas no morro do Estado, na região central de Niterói. Ele teria se afiliado ao Comando Vermelho após a prisão do comparsa Andrei Soares Maciel, o Coronel.
Já no morro do Palácio, também na região central, Anderson Souza Leite, o Bozo, Igor Barboza Miranda, Bozin, e Renato Santana de Almeida, apelidado como Renatinho, seriam os responsáveis.
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Já no Morro do Cavalão, em Icaraí, a denúncia lista como líder o denunciado Reinaldo Medeiros Ignácio, vulgo Kadá, tendo abaixo dele o seu filho, o denunciado Reinaldo Medeiros Ignácio Júnior, vulgo Reinaldinho.
DENUNCIA O DIA
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Na ocasião, o MPRJ e a Polícia Civil alegaram que a audácia dos bandidos prejudicava cerca de 110 mil pessoas, coagidas a aceitar o serviço ilegal.