Dr. Jairinho
Dr. JairinhoRenan Olaz/CMRJ
Por O Dia
Rio - Jairo é nome próprio, mas para os lados de Bangu e Realengo é a marca de uma família inteira, que pelo menos há duas décadas acumula mandatos em sequência nas casas legislativas do Rio de Janeiro. O nome, apesar da projeção nacional que ganhou nesta quinta-feira com a prisão do vereador Dr. Jairinho, já tem na bagagem outras polêmicas e acusações graves.
A história começa não com um doutor, mas com um militar. Coronel da PM, Jairo de Souza Santos, conhecido como Coronel Jairo, foi eleito deputado estadual pela primeira vez em 2002. Seu nome já era conhecido na Zona Oeste do Rio: ele é considerado o 'eterno presidente' do Ceres Futebol Clube, time que disputa divisões inferiores do futebol carioca e, apesar de mais modesto, nutre certa rivalidade com o vizinho Bangu Atlético Clube.
Publicidade
Em 2004 foi a vez do filho ser alçado à política. Jairinho, impulsionado pela popularidade do pai, foi eleito vereador com pouco mais de 23 mil votos. À época com 26 anos, ainda não assinava como 'doutor'.
Entre 2007 e 2008, a família sofreu sua primeira grande crise política: coronel Jairo foi citado na CPI das Milícias da Alerj como um dos supostos líderes da milícia Liga da Justiça, ao lado dos também parlamentares Jerominho e Natalino.
Publicidade
Jairinho foi reeleito nos anos de 2008, 2012, 2016 e 2020, e passou a ter mais projeção política do que o pai. Coronel Jairo foi suplente de deputado estadual entre 2015 e 2019, mas assumiu a cadeira ao longo do mandato. À essa altura, outra grande acusação colocou a família novamente em foco: Coronel Jairo foi um dos presos na Operação Furna da Onça, que apontou a compra do parlamentar por R$ 50 mil, em troca de votos favoráveis ao grupo político do ex-governador Sérgio Cabral. Segundo a investigação, Jairo tinha total controle sobre os postos do Detran de Bangu e Campo Grande, nomeando funcionários.
Mas nenhuma crise política ou episódio de corrupção foi tão avassaladora quanto a prisão de Dr. Jairinho, apontado como participante na morte do enteado Henry Borel, de quatro anos, no último dia 8 de março. Na noite desta quinta, ele foi levado da Cadeia Pública de Benfica, na Zona Norte, para o Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, Zona Oeste. A Polícia Civil identificou que poucas horas após o crime o vereador usou sua força política para despistar a investigação: pediu para um alto executivo da Saúde para não encaminhar o corpo ao IML, combinou versões com testemunhas e chegou a ligar para o governador em exercício, Cláudio Castro. Jairinho deve ser afastado do mandato de vereador. Quem deve assumir a vaga é o primeiro suplente Marcelo Diniz, presidente da Associação de Moradores da Muzema e com forte força política nas regiões da Muzema, Tijuquinha e Rio das Pedras, região dominada pela milícia.