Na foto, o Hospital Albert Schweitzer, em Realengo.
Na foto, o Hospital Albert Schweitzer, em Realengo.Estefan Radovicz / Agencia O Dia
Por *Thalita Queiroz
Rio - Profissionais de saúde do Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, Zona Oeste do Rio, relatam que além de falta de sedativos, que os obriga a amarrar pacientes acordados na cama para intubação, eles ainda receberam uma mensagem informando que 90% dos funcionários seriam dispensados. De acordo com um funcionário da unidade, que preferiu não se identificar, a situação é crítica dentro e fora do CTI.
Segundo informações obtidas pelo DIA, a organização social (OS) Cruz Vermelha do Brasil enviou uma mensagem, por meio de um aplicativo de mensagem, para informar os funcionários que o contrato com a Prefeitura do Rio não foi renovado e por isso é preciso iniciar os trâmites de desligamento.
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Questionado sobre a falta de medicamentos na unidade, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, informou que a Secretaria Municipal de Saúde possui estoque para os próximos dias. "Nós temos estoque para pelo menos os próximos quatro dias. Os hospitais vão remanejando de acordo com a necessidade", afirmou.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que está analisando se será renovado ou se haverá substituição da organização social contratada. "Em razão disso, a atual gestora, a Cruz Vermelha Brasileira, iniciou o processo de desligamento dos funcionários que, se houver renovação do contrato, será devidamente cancelado. Em caso de contratação de outra instituição, os profissionais poderão ser aproveitados pela nova gestora."

O atual contrato com a de gestão do hospital se encerra no dia 29 abril e ainda não foi iniciado nenhum processo de renovação. Na mensagem, enviada por um dos diretores da unidade, os funcionários são informados que estão de aviso prévio desde a quarta-feira (14) por determinação do presidente da Cruz Vermelha do Brasil.

"Como sempre foi meu perfil enquanto diretor dessa unidade, informo aos senhores que a unidade inteira entrará de aviso prévio a partir da data de hoje. Por determinação do presidente da CVB. Reforço que isso é uma rotina da CLT por ainda não temos resposta da SMS quanto ao que será definido. Estou escrevendo para manter a transparência com todos e pedir que estejamos com nosso compromisso junto aos pacientes. João Paulo."
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Hospital Albert Schweitzer envia mensagem para funcionários sobre aviso prévio - Divulgação
Hospital Albert Schweitzer envia mensagem para funcionários sobre aviso prévioDivulgação


O funcionário que fez a denúncia relatou que 90% dos funcionários estão sendo convocados para assinar o aviso prévio. "Somente os terceirizados ainda não foram convocados, que são as equipes de tomografia e cozinha. Mas até eles serão desligados futuramente se a Prefeitura do Rio contratar outra OS", contou.
Documento de aviso prévio - Hospital Albert Schweitzer - Divulgação
Documento de aviso prévio - Hospital Albert SchweitzerDivulgação
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Pacientes intubados sofrem com a falta de sedativos desde o começo de abril

De acordo com um técnico de enfermagem do Hospital Albert Schweitzer, no começo de março a falta de sedativos já era uma realidade na unidade, no entanto, foi no início de abril que a situação ficou ainda mais complicada. “Antes tínhamos alguns pacientes sendo submetidos ao processo sem sedação, agora são todos os pacientes sendo amarrados nas camas por falta de medicamentos”, disse o técnico de enfermagem.


'A situação é trágica', diz Sindsprev do Rio

Segundo Cristiane Gerardo, dirigente regional do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde e Previdência Social no Estado do Rio (Sindsprev/RJ), as unidades que o sindicato mais recebe denúncias são no Hospital Pedro Ernesto, em Vila Isabel, e no Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz.

"São os dois hospitais que a gente está recebendo denúncias que está uma tragédia lá. Recebemos registros de pacientes sem sedação, recebendo outros medicamentos e amarrados lúcidos. O Hospital Federal Cardoso Fontes é o que está em uma situação melhor em relação a ter estoque para medicamentos", disse Cristiane Gerardo.
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*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes