Em 2020, traficantes já tinham bloqueado as ruas de acesso à Capela de São Jorge, em São Gonçalo
Em 2020, traficantes já tinham bloqueado as ruas de acesso à Capela de São Jorge, em São GonçaloDivulgação
Por Anderson Justino
Rio - Assim como em 2020, devotos de São Jorge que moram em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, terão dificuldades para acessar a capela do Santo Guerreiro que fica no bairro Lindo Parque, nas comemorações deste ano. Engana-se quem pensa que o problema esteja relacionado à pandemia, já que a programação para esta sexta-feira (23) segue mantida, respeitando as ordens das autoridades de saúde. Os obstáculos são as barricadas instaladas por traficantes que controlam a venda de drogas no bairro. 
Segundo moradores, dezenas de ruas estão bloqueadas e as pessoas são impedidas de passar com carros. 
"Eles fazem isso porque querem impedir a entrada da polícia aqui nessa área. Mas esquecem que as pessoas precisam ter o direito de ir e vir. Isso é um desrespeito total. Ainda mais pra quem precisa exercer a fé", reclama uma mulher que mora no bairro há mais de 30 anos. 
O acesso à capela de São Jorge é feito pelas ruas Gurupá, Quitéria de Jesus e Alexandre Brunete, mas todas estão bloqueadas com barricadas. Quem quer exercer sua fé precisa fazer o trajeto a pé. 
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"É a triste realidade de quem vive em São Gonçalo. O crime, que nunca foi organizado, dominou tudo. Tem mais bandidos dos que pessoas de bem, essa é a verdade. Vivemos sob o que eles decidem. Não podemos reclamar, pois sofremos repressão depois", completa a moradora. 
O DIA tentou contato com a direção da Capela de São Jorge, mas até a publicação da matéria não houve retorno. Procurada, a PM informou que a corporação realiza ações para a retirada de obstáculos nas vias urbanas de maneira sistemática e frequente.
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"Tais mobilizações são planejadas visando a manutenção da segurança da população e dos agentes envolvidos, e executadas com base em protocolos técnicos com foco central na preservação de vidas, seguindo rigidamente os preceitos legais. A população pode colaborar realizando denúncias através do Disque-Denúncia 2253-1177 ou, para casos urgentes, através de nossa Central 190. Os registros em delegacias da Polícia Civil também são essenciais, pois colaboram com a revisão do planejamento operacional na área onde a mancha criminal é mais acentuada", diz a nota.