Em Quintino, fiéis celebraram missa de São Jorge com antecedência
Em Quintino, fiéis celebraram missa de São Jorge com antecedênciaLuciano Belford / Agência O Dia
Por Aline Cavalcante
Rio - Pelo segundo ano consecutivo, a pandemia da covid-19 alterou a tradicional festa do dia de São Jorge, conhecido como o Santo Guerreiro, no Rio de Janeiro, comemorado em 23 de abril. As celebrações que costumavam reunir milhares de devotos na Igreja Matriz, em Quintino, na Zona Norte, foram antecipadas para esta quinta-feira, com horários de missas devocionais até às 19h.

A presença do público está permitida, mas a frequência é limitada a 90 pessoas, que devem estar de máscaras, com higienização com álcool em gel e respeitando o distanciamento.

Durante a celebração na Igreja da Matriz, o padre Dirceu Rigo trouxe uma palavra de ânimo para o momento de pandemia. "Não percam a esperança. Se São Jorge venceu o dragão, vocês também vão vencer. E quais são os dragões que querem nos vencer hoje? É esta pandemia que estamos vivendo, esta violência. Vamos ter fé, coragem e esperança que com Deus, por intermédio de São Jorge, vamos conseguir vencer", disse o religioso.

Na Igreja da Matriz, a programação tem previstas onze missas ao longo do dia. Para participação presencial, os devotos fizeram agendamento pelo número de WhatsApp que o templo botou à disposição para o fiel garantir um lugar.

Dia do santo terá missas online
Nesta sexta-feira (23), dia de São Jorge, o cenário será diferente. Para evitar aglomerações, a igreja estará fechadas ao público. Os fiéis poderão acompanhar as celebrações pelas redes sociais da paróquia ou pelo canal católico Rede Vida. A Alvorada, às 5h, será na Igreja Matriz, mas não é recomendável a presença de fiéis, que poderão acompanhar tudo por meio das transmissões.

Os tradicionais toques do clarinete e do sino e uma queima de fogos estão mantidos, com uma missa na sequência celebrada pelo padre Dirceu Rigo, que vai ler uma carta com uma mensagem do santo.

Para o padre, mesmo sendo muito triste não poder fazer a festa do padroeiro pelo segundo ano consecutivo, é preciso estar ciente da realidade atual e acima de tudo cuidar da vida. A programação da Igreja Matriz prevê, ainda, uma missa às 10h, a ser conduzida pelo arcebispo do Rio, cardeal dom Orani Tempesta, e uma de encerramento às 18h.

O Corpo de Bombeiros do Rio, que tem São Jorge como padroeiro, vai fazer uma alvorada às 6h, no quartel de Copacabana, na Zona Sul da cidade. Em seguida, uma imagem do santo seguirá em carro aberto da corporação até o Quartel Central, na Praça da República.

Fiéis pedem por saúde

Devotos de São Jorge, pai e filho, moradores de Piedade, foram foram agradecer. "Estou grato principalmente pela minha saúde. Sou devoto desde sempre", disse Sergio Alexandre da Silva, 44, acompanhado do filho Jhonny Becker, 18. O carioca conta que vai comemorar o dia do santo com uma feijoada entre família. "Está tudo organizado e comprado. Os fogos também estão comprados para a alvorada, às 5h. Adaptei a comemoração, mas não deixo de celebrar", afirma o devoto que coleciona camisas de São Jorge, são mais de 30 em seu acervo.

Já a professora Eliana Medeiros, 60, moradora de Quintino, foi agradecer por uma benção especial. Nesta quinta-feira ela recebeu a primeira dose da vacina contra a covid-19. "Esta missa teve um gosto especial, estou saindo daqui muito bem, cheia de paz. Pedi também que nós tenhamos saúde".

Com a imagem de São Jorge nas mãos, Eliana conta que toda a família é devota do santo guerreiro. Ela brinca que a devoção é tanta que até o marido e o filho se chamam Jorge. "O nome do meu filho foi uma homenagem ao meu marido e também ao santo. Numa família de tantos devotos não podia ser diferente", divertiu-se.

Vendas em baixa

Nas famosas barraquinhas com artigos religiosos montadas na porta da igreja, em Quintino, a movimentação ainda é pequena. Os ambulantes esperam que amanhã, dia de São Jorge, as vendas aumentem, mesmo sem as missas presenciais.

"Por enquanto está devagar porque no dia do santo é que as pessoas compram mesmo. Amanhã eu acredito que vai ser bom. Todos os anos eu venho e vendo bastante. Mesmo na pandemia, no ano passado foi bom. Então, tenho fé que amanhã vou vender tudo rápido", afirmou a vendedora de velas Mara Fernandes, 45, da Pavuna.

A artesã Aielc Reis, mais conhecida como Elke, 54, vende fitas, anéis, pulseira, terços e até máscara com a imagem de São Jorge para agradar os fiéis. "A maioria das peças são confeccionadas por mim, mas hoje as vendas estão fracas, embora tenha missa. Estamos esperando que amanhã tenha mais procura, porque mesmo sem missa as pessoas fazem suas rezas na porta da igreja, acendem velas". Segundo ela, as fitinhas, terços e canetas são os artigos mais procurados pelos fiéis.

Máscaras do Santo Guerreiro fazem sucesso

Os devotos de São Jorge fizeram questão de homenageá-lo com roupas vermelhas, camisas estampadas com a imagem do santo, rosas e outros objetos. Mas, um acessório chamou a atenção: as máscaras. Exigidas no protocolo de proteção contra a covid-19, as máscaras com imagem de São Jorge estampou o rosto de muitos fiéis, como a dona de casa Aline Pinho, 42, moradora da Vila da Penha.

"Ganhei esta máscara de presente e estou usando pela primeira vez. Vim agradecer pela saúde e pedir força para continuar prosseguindo. Perdi meu marido com covid em maio do ano passado. Só São Jorge pra me dar forças neste momento".

Na barraca de Aielc, a máscara de São Jorge tem sido bastante procurada. "Está entre as coisas que mais vendi. Tem bastante gente querendo, está saindo bem", conta a vendedora.