Marcelo FreixoReprodução/Facebook

Por O Dia
Rio - O deputado federal Marcelo Freixo anunciou, nesta sexta-feira, sua saída do Psol, partido em que era filiado desde 2005. O parlamentar disse que a decisão foi "longamente amadurecida" e que seguirá compartilhando os mesmo ideais do antigo partido. Freixo deve se filiar no fim do mês ao PSB, junto com o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB). O parlamentar diz que quer construir uma frente ampla, incluindo o centro, para disputar o governo do Estado.
Em entrevista à revista Veja, o deputado revelou que equipe de campanha incluirá o ex-ministro da Defesa do governo Temer Raul Jungmann para o programa de Segurança. A economista Laura Carvalho e André Lara Resende, que integrou o governo FHC, trabalham no plano de recuperação econômica do estado.
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Pelo Psol, Freixo se elegeu deputado estadual e se candidatou a prefeito do Rio por duas vezes. "Hoje, encerro esse ciclo com a certeza de que apesar de não estarmos juntos daqui para a frente no mesmo partido seguiremos na mesma trincheira de defesa da vida, da democracia e dos direitos do povo brasileiro", disse em sua publicação.
Em uma live transmitida no início da tarde, Freixo disse que espera que o Psol componha a frente ampla que está costurando. Ele diz que está se colocando como pré-candidato ao governo do Rio, mas que pode apoiar outro nome caso outra candidatura do campo progressista se demonstre mais viável para ganhar a eleição.
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Desde abril Freixo fala que quer construir uma aliança ampla progressista no Rio, incluindo diálogos com nomes do Centro, como Rodrigo Maia, mas não houve apoio por parte do Psol. Nesta quinta-feira (10), o deputado esteve em reunião do ex-presidente Lula com os deputados federais Alessandro Molon (PSB) e Jandira Feghali (PCdoB), e nomes ligados à esquerda no Rio.
"Seguirei nessa caminhada, me dedicando à construção de pontes, reafirmando o valor do diálogo e o papel da política como meio de resolvermos de forma pacífica os problemas do nosso país. O nosso dever histórico é derrotar Bolsonaro nas urnas e o bolsonarismo enquanto projeto de sociedade", finalizou.
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O campo da esquerda repercutiu nesta sexta-feira o anúncio de saída do deputado federal Marcelo Freixo do Psol. Ex-correligionários lamentaram e manifestaram tristeza com a saída do quadro, enquanto que políticos ligados a outros partidos da esquerda desejaram sorte e deram apoio ao parlamentar.
Freixo também vai participar de agendas com Lula no sábado (12). Nesta sexta-feira, é o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), quem recebe o ex-presidente petista para um almoço no Palácio da Cidade, Zona Sul do Rio. Paes negou que o encontro represente um apoio à candidatura do petista à presidência em 2022. O prefeito diz que apoiará o presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz ao governo do Rio, negando um apoio a Freixo.
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Confira a nota na íntegra
Ingressei no PSOL em 2005, antes de me eleger deputado estadual pela primeira vez. De lá para cá, compartilhamos uma bela história e colocamos o partido no centro da luta pela democracia brasileira. Juntos fizemos as CPIs das Milícias, do Tráfico de Armas e Munições e dos Autos de Resistência; enfrentamos com coragem os governos Sergio Cabral e Pezão; colocamos a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia
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Legislativa a serviço dos esquecidos pelo poder público; disputamos a prefeitura do Rio de Janeiro numa linda campanha que encantou nossa cidade e fomos ao front contra o governo Bolsonaro. Mais do que companheiros de luta, as pessoas com quem construí o PSOL são amigos com quem divido projetos de vida.
Hoje, encerro esse ciclo com a certeza de que apesar de não estarmos juntos daqui para a frente no mesmo partido seguiremos na mesma trincheira de defesa da vida, da democracia e dos direitos do povo brasileiro. Essa decisão foi longamente amadurecida e tomada após muito diálogo com dirigentes nacionais e estaduais do partido, a quem agradeço pelas reflexões fraternas que compartilhamos nesse processo.
Os graves retrocessos institucionais e humanos provocados por Bolsonaro em apenas dois anos de governo impõem novos desafios à democracia e à atuação do campo progressista. É urgente a ampliação do diálogo e a construção de uma ampla aliança com todas as forças políticas dispostas a somar esforços na luta contra o bolsonarismo. É hora de colocarmos as nossas divergências em segundo plano para resgatarmos o nosso país do caos e protegermos a vida dos brasileiros. As eleições de 2022 serão um plebiscito nacional sobre se a Constituição de 1988 ainda valerá no Brasil, por isso nós democratas não temos o direito de errar: do outro lado está a barbárie da fome, da morte e da devastação.
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Seguirei nessa caminhada, me dedicando à construção de pontes, reafirmando o valor do diálogo e o papel da política como meio de resolvermos de forma pacífica os problemas do nosso país. O nosso dever histórico é derrotar Bolsonaro nas urnas e o bolsonarismo enquanto projeto de sociedade. E sei que o PSOL e eu estaremos do mesmo lado para cumprir com essa tarefa.