Presidente do Detran-RJ, Adolfo KonderEduardo Uzal

Após a abertura no Teatro Casa Grande, na terça-feira, a quarta edição do Movimento Rio em Frente foi retomada ontem, no auditório da Fecomércio RJ (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio de Janeiro), no Flamengo. Às 9h, o jornalista Luiz André Alzer, mestre de cerimônias e mediador, iniciou o painel dedicado ao debate sobre responsabilidade no trânsito.
"O problema dos desastres com motofretistas tomou dimensões assustadoras, e a solução passa por educação. O impacto social e econômico é enorme. Precisamos lançar luz sobre esse tema e manifestar indignação. O trânsito é um reflexo da sociedade. Vamos com uma campanha forte junto ao Into e ao Detran para conscientizar a população", disse Antonio Florêncio Queiroz Junior, presidente da Fecomércio RJ. 
A diretora do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), Dra. Germana Bahr, ressaltou que o alto volume desse tipo de sinistro impacta diretamente o atendimento no hospital, que é líder na realização de cirurgias ortopédicas complexas no Brasil. "Além de acompanhar o sofrimento desses pacientes acidentados, o grande número impacta na chamada de pacientes da lista de espera. Como a conduta no trânsito é cultural, precisamos conscientizar a população para conseguir mudar esse cenário", explicou Germana.
A médica compôs o painel "Trânsito, Vida, Segurança e Responsabilidade" com a pesquisadora do Into, Ana Carolina Leal; o presidente do Detran, Adolfo Konder; o superintendente da AgeRio, Bruno Bravo; o coordenador de Educação para o Trânsito do Detran, Fellipe da Silva Santos; a presidente da Abrapsist-Rio, Dra. Janaina Sant'Anna; o coordenador do Renach e especialista em Legislação de Trânsito, Joel Mendes; o líder motofretista e entregador do IFood, Leandro Nunes; e o coordenador de Fiscalização do Detran, Marcus Moreira.
Sobre o convite para a participação de motofretistas no encontro, o presidente do Detran explicou que a ideia é "promover a escuta para favorecer uma categoria tão importante para a sociedade". Leandro Nunes relatou as dificuldades enfrentadas na sua rotina e citou dois aspectos que considera fundamentais para diminuição dos acidentes.
"Maior visibilidade para motofretistas e mototaxistas nos projetos de engenharia de tráfego e fiscalização do Ministério Público do Trabalho junto aos estabelecimentos e aplicativos. Os aplicativos, em especial, estimulam o motoboy a correr. Em alguns casos, o Google Maps indica 13 minutos pra chegar ao lugar e o aplicativo marca 3", disse Leandro.
Na sequência, o coordenador de Educação para o Trânsito do Detran, Fellipe da Silva Santos, garantiu que a prioridade agora é cuidar da categoria, com campanhas e cursos. "O número de motoboys vem crescendo, e com isso cresce nossa responsabilidade em educar. A fiscalização se faz necessária, mas esperamos que nosso trabalho faça com que ela, um dia, não exista mais, ou pelo menos não precise infracionar", disse Fellipe.
Mulheres protagonistas
O segundo painel do dia foi formado só por mulheres. A mestre de cerimônias Isabella de Salignac começou chamando ao palco a atriz Danielle Fritzen, que apresentou um trecho da peça "Frágil- Fora da Caixa". Com reflexões sobre questões como abuso psicológico e empoderamento feminino, o esquete abriu espaço para que as convidadas seguintes apresentassem suas próprias histórias.
Com moderação de Antônia Leite Barbosa, o painel "SuperAção Feminina" reuniu Graciele Davince, sócia-fundadora da Eletrofrigor; Letícia Torzecki, multi-franqueada Ri Happy e Valisere; e Yvonne Bezerra, mestre e doutora em Políticas Públicas e idealizadora do Projeto Uerê. Graciele e Letícia ressaltaram a importância da persistência para a conquista de espaço no mercado, enquanto Yvonne destacou o êxito do projeto educacional que mantém na Maré há 24 anos e mencionou uma transformação necessária para reduzir as desigualdades de gênero desde a infância.
"O Uerê não tem uma menina grávida e nem meninos com paternidade irresponsável, porque fazemos prevenção o tempo todo. Até hoje, os meninos são educados diferentes das meninas. Vemos meninas tomando conta de casa e cuidando de irmãos, enquanto meninos jogam pipa. Os pais precisam educar de maneira igual. Precisamos mudar o conceito de educação das crianças em todas as classes sociais", disse a mestre 3 doutora.
O Movimento Rio em Frente terminou na tarde de ontem com os jornalistas Paulo Ubaldino e Evandro Jalrs comandando o painel. A cobertura completa do Movimento Rio em Frente 2022, promovido pela Fecomércio RJ em parceria com O DIA, será publicada na próxima terça-feira (30).