Maurício Demétrio está preso desde junho de 2021Reginaldo Pimenta

Rio – O ex-delegado Maurício Demétrio, preso desde 2021 e condenado por obstrução de Justiça, vai receber uma dívida no valor de R$ 517.498,31 da Polícia Civil. O valor corresponde ao pagamento de férias e licenças-prêmio não gozadas.
A decisão foi publicada na sexta-feira (19) passada no Diário Oficial por meio de um despacho do delegado Felipe Curi, titular da Secretaria de Estado de Polícia Civil. Por meio de nota, a corporação afirmou que o pagamento é um “reconhecimento do direito de pagamento por período trabalhado” por Demétrio. O objetivo é cobrir três meses de licença-prêmio, nove meses de férias não gozadas e três pagamentos de terço constitucional de férias.
A Polícia Civil destacou também que ainda não há previsão para o pagamento e que, antes de efetuá-lo, enviará um ofício para o juiz responsável pelo processo a fim de consultá-lo sobre eventuais impedimentos para o depósito.
Da prisão à demissão
Maurício Demétrio foi preso em 2021, na Barra da Tijuca, durante a Operação Carta de Corso, que investigava uma organização criminosa que cobrava propina de comerciantes de produtos falsos e atuava dentro da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Propriedade Imaterial (DRCPIM), responsável por combater a pirataria.
Já em janeiro de 2024, a Justiça condenou Demétrio a quase 10 anos de prisão por obstrução de Justiça. Sete meses depois, a Corregedoria da Polícia Civil o indiciou por forjar, três anos antes, uma operação contra outro delegado. E em dezembro do mesmo ano, o ex-delegado, que também responde por abuso de autoridade, denunciação caluniosa e fraude processual, teve a demissão assinada pelo governador Cláudio Castro (PL).