Rio - Vitor Luiz Moreira Lisboa, supervisor da Bell'Art, loja onde começou o incêndio no Shopping Tijuca, na Zona Norte do Rio, afirmou que o hidrante do estabelecimento estava sem água, o que obrigou a equipe a acoplar a mangueira em um quiosque vizinho. A informação consta no depoimento prestado por ele na 19ª DP (Tijuca) na quarta-feira (14), ao qual a reportagem de O DIA teve acesso.
Vitor trabalha como supervisor da loja há nove meses. Em seu relato, contou que estava no piso inferior da loja, no dia 2 de janeiro, quando o funcionário identificado como Daniel o alertou sobre a fumaça que saía do mezanino, onde fica o estoque. Ele subiu para verificar a situação, mas a fumaça já era tão densa que não conseguiu identificar o ponto exato do foco.
Ao descer novamente, ordenou a evacuação imediata de funcionários e clientes e pediu que o supervisor Weslen acionasse o botão de pânico, procedimento padrão para emergências no shopping.
No depoimento, Vitor afirmou ainda que, mesmo após o alerta e a evacuação, os primeiros integrantes da segurança do shopping só chegaram cerca de sete minutos depois. O supervisor de brigadistas Anderson Aguiar do Prado, que morreu no incêndio, e Michael Oberdan, foram os primeiros funcionários a aparecer no local.
Eles tentaram acoplar a mangueira ao hidrante da loja, mas, segundo Vitor, não havia água no equipamento. A dupla então precisou improvisar, estendendo a mangueira até um quiosque vizinho, próximo a um restaurante, para pegar água de outro ponto. Ainda de acordo com o supervisor, Anderson e Michael estavam sem equipamento de proteção para combate a incêndio, mas tentaram conter o fogo mesmo assim.
Vitor relatou também que, posteriormente, outros membros da brigada chegaram já com equipamentos adequados e pediram que ele, Anderson e Oberdan deixassem o mezanino por segurança. Vitor obedeceu, mas os dois funcionários permaneceram no local, já tomado por muita fumaça.
Brigada aponta outra falha
Bombeiros civis da CM Couto, empresa terceirizada responsável pela brigada do Shopping Tijuca, afirmaram que houve também uma falha no alarme da loja Bell Art no dia do incêndio. O sistema seria responsável por alertar o setor de segurança do centro comercial sobre a presença de fumaça no subsolo. Com o alarme inoperante, métodos mais demorados tiveram de ser adotados no combate às chamas.
Ao todo, dois funcionários do shopping morreram enquanto tentavam ajudar a conter o incêndio.
O que diz o Shopping Tijuca
Em nota, o Shopping Tijuca detalhou como foi a ação no dia do incêndio. Segundo a administração, a brigada atuou de forma rápida, conseguindo evacuar a loja e o andar onde ela se encontrava (subsolo) em poucos minutos, até a chegada dos bombeiros. "Em aproximadamente 30 minutos, todas as pessoas tinham sido retiradas em segurança, sem tumultos ou ferimentos decorrentes de correria", diz um trecho da nota.
No comunicado, a administração cita ainda a presença do Corpo de Bombeiros como decisivo para evitar maiores danos: "Todas as ações foram conduzidas com atuação técnica, rápida e decisiva do Corpo de Bombeiros, que liderou a operação no local, contando com total suporte e cooperação do shopping para garantir a segurança das pessoas e a eficiência dos trabalhos".
Reabertura do centro comercial
De acordo com a administração do estabelecimento, o shopping vai reabrir nesta sexta-feira (16), de forma gradual e facultativa, a partir das 10h, considerando que os lojistas ainda estão reorganizando seus estoques e as equipes. O subsolo (L0) e uma parte do pavimento térreo (L1), acima da loja Bell'Art - onde as chamas começaram - continuam isolados pela Defesa Civil.
A Polícia Civil segue investigando eventuais falhas no sistema de segurança do shopping, incluindo a falta de abastecimento do hidrante e o tempo de resposta da brigada.
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