Leandro e Roberta estavam juntos há cerca de três anosRede Social

Rio – A Polícia Militar afastou de atividades externas quatro agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) envolvidos na ação que terminou com a morte de um morador no Morro dos Prazeres, na Região Central, durante operação nesta quarta-feira (18). A medida, que partiu do comando da própria unidade, se deu após análises iniciais apontarem mau uso das câmeras corporais.
Por nota, a corporação ratificou que o deslocamento dos policiais para atividades exclusivamente administrativas foi necessário para “assegurar a apuração rigorosa e transparente dos fatos, em conformidade com as normativas que regulamentam a utilização dos equipamentos”.
O afastamento seguirá enquanto durarem as investigações conduzidas pela Corregedoria Geral. A PM não esclareceu o que significa exatamente “mau uso”, tampouco se as câmeras estavam ligadas no momento da ação.
Conflito de versões
Em entrevista coletiva após a operação no Morro dos Prazeres - que resultou na morte também do chefe do tráfico da localidade, Claudio Augusto dos Santos, o Jiló dos Prazeres - o tenente-coronel Marcelo Corbage, comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), difundiu a versão de confronto entre agentes e criminosos, além do número de bandidos dentro da casa de Leandro, reforçando que chegou a ter início uma negociação.
“Eles entraram na residência, colocaram um casal como refém e no momento que a gente estava buscando uma solução pacífica, houve disparos de dentro da residência, na qual o senhor Leandro acabou sofrendo o primeiro PAF (perfuração por arma de fogo) na região da cabeça. Então a nossa tropa respondeu imediatamente o fogo, onde houve essa ação de neutralização (execução) desses seis criminosos”.
A mulher de Leandro, Roberta Ferro Hipólito, entretanto, conversou com a reportagem de O DIA e afirmou categoricamente que os policiais entraram na residência do casal atirando: “Estávamos dormindo, eram umas 7h30, quando fomos acordados por esses garotos que entraram na casa. Eles pediram para ele (Leandro) segurar o cachorro para não latir e pediram para eu me vestir, eu me vesti e ficaram todos lá no chão do quarto. Até que a polícia chegou e começou a atirar. Não teve confronto, arrebentaram a minha porta com granada, não teve negociação nenhuma, só falavam para colocar os fuzis para fora e os bandidos não falaram nada”.
No Instituto Médico Legal, Roberta contou ainda que enfrenta dificuldades para realizar a liberação do corpo após ter tido os documentos dela e do marido levados de dentro da casa.

"Estou abalada, transtornada com tudo que eu vivi. Além de tudo ainda tem que esperar porque os documentos foram levados da nossa casa, tanto dele como o meu, por isso não foi liberado o corpo ainda", afirmou.
Roberta explicou também que após os tiros, foi induzida por um agente a falar na delegacia que a morte do marido teria sido provocada pelos bandidos: "Quando eu sai para fora, ele (policial) falou assim: Você tem que ir na delegacia prestar depoimento e falar que o bandido atirou no seu marido. Mas eu não falei, porque eu não vi bandido atirando, e eu não vou mentir".
Por fim, Roberta ressaltou que não consegue voltar para casa. O imóvel ficou com diversas marcas de sangue no chão e nas paredes, além de restos mortais. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga o caso.
O corpo de Leandro será velado, no início da manhã desta sexta-feira (20), no Cemitério do Catumbi, na Região Central. A cerimônia acontecerá até às 11h30. Em seguida, o caixão será levado para o Piauí, onde o auxiliar de cozinha será sepultado.