Alfredo Linhares de Souza morreu em um confronto entre policiais civis e traficantes, nesta quinta-feira (9)Reprodução / Redes sociais

Rio – Apesar da queda dos tiroteios, o número de pessoas mortas e feridas por arma de fogo na Região Metropolitana do Rio cresceu. É o que aponta um levantamento divulgado nesta segunda-feira (13) pelo Instituto Fogo Cruzado, que revelou que, neste mês, 139 pessoas foram baleadas, o que representa um aumento de 6% em relação a 2025.
Houve um aumento de 72 mortes e 67 pessoas feridas em março deste ano. De acordo com o relatório, a diminuição de registro das trocas de tiro foi de 13%: de 170, em março de 2025, para 148 neste ano.
O principal fator por trás do aumento, afirma o documento, seriam operações policiais, uma vez que mais da metade (51%) dos tiroteios ocorridos no mês terminaram com feridos. Em comparação ao ano passado, em que foram baleadas 48 pessoas, houve um aumento de 63% neste ano, para 78. E entre eles, ao menos oito foram vítimas de balas perdidas ao longo do mês e metade, durante as ações.
É o caso de Alfredo Linhares de Souza, de 55 anos, que foi atingido na última quinta-feira (9), em um confronto entre policiais civis e traficantes, na comunidade Vila Sapê, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Em março, outras duas pessoas também foram vítimas de bala perdida em São Gonçalo, no intervalo de uma semana. No dia 19, um homem passava por uma rua no Colubandê quando foi atingido após um confronto entre policiais e um ladrão. Ele morreu na hora.
Dias depois, no dia 27, uma moradora do Complexo do Salgueiro morreu, também durante um confronto entre PMs e criminosos no local.
Municípios e bairros afetados:
-Rio de Janeiro: 93 tiroteios, 49 mortos e 40 feridos
-São Gonçalo: 18 tiroteios, 3 mortos e 10 feridos
-Niterói: 11 tiroteios, 5 mortos e 4 feridos
-Duque de Caxias: 5 tiroteios, 1 morto e 2 feridos
-Taquara (Rio de Janeiro): 8 tiroteios, 9 mortos e 5 feridos
-Fonseca (Niterói): 7 tiroteios, 3 mortos e 2 feridos
-Cascadura (Rio de Janeiro): 7 tiroteios e 1 morto
-Curicica (Rio de Janeiro): 5 tiroteios e 6 feridos
-Campo Grande (Rio de Janeiro): 4 tiroteios, 6 mortos e 2 feridos
-Vila Isabel (Rio de Janeiro): 4 tiroteios e 1 morto
Aumento de assaltos
O estudo também mostrou um aumento de baleados nos crimes de assalto, passando de oito vítimas em 2025 para 16 em março deste ano. A Zona Sudoeste concentrou a maioria das ocorrências de baleados em assaltos, com o total de seis vítimas.
Já em Nilópolis, na Baixada, o funcionário da SuperVia Saulo Cairo de Oliveira, 29 anos, foi baleado na boca o dia 1º, após impedir um assalto armado dentro da estação de Olinda. Ele está em estado estável e teve funções importantes preservadas, como mastigar, engolir e respirar normalmente, sem sinais de obstrução das vias aéreas ou risco de morte.
Para Carlos Nhanga, coordenador regional do Instituto Fogo Cruzado no Rio, a frequência desses episódios acende um alerta sobre a escalada da violência: "Na cidade do Rio, a maioria dos casos envolvendo vítimas de assaltos está concentrada em regiões que não receberam atenção prevista de programas de prevenção contra assaltos", analisa.