Rio - O Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ) recomendou a suspensão das torcidas organizadas Jovem do Flamengo e Força Jovem do Vasco, por um período de 10 jogos, devido às brigas ocorridas no clássico do último dia 3, no Maracanã, na Zona Norte, que terminou com um vascaíno morto e outro sem a visão do olho direito.
O Grupo de Atuação Especializada em Desporto e Defesa do Torcedor (Gaedest) enviou a recomendação ao Batalhão Especializado de Policiamento em Estádios (Bepe) nesta segunda-feira (18). Segundo o órgão, as torcidas não deverão participar de nenhuma partida no Estado do Rio e nem ficar no perímetro de estádios por um período de 10 jogos.
A suspensão impediria o uso de direito a faixas, bandeiras, instrumentos musicais e até indumentárias de identificação ou alusiva às torcidas.
A medida foi tomada após episódios de violência registrados depois de um jogo entre os dois times, no dia 3 de maio, descumprindo o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o MPRJ e as torcidas.
"Na hipótese de a torcida organizada se envolver em quaisquer atos de violência, como brigas, tumultos ou atos que, de qualquer maneira, coloquem em risco a ordem pública, bem como proceder à realização de concentração de seus membros em violação ao acordado na cláusula anterior, independentemente de na data haver a realização de evento esportivo, serão aplicadas as medidas educativas de advertência ou suspensão de comparecimento portando os seus apetrechos, em estádios que sediem eventos esportivos de futebol, seja em campeonato estadual, nacional ou internacional", diz trecho do TAC.
O MP solicitou também que o Bepe envie ofícios aos representantes das torcidas para que apresentem, no prazo de cinco dias, as relações nominais completas e atualizadas de seus integrantes.
Procurada, a Polícia Militar informou que a decisão será cumprida pelo batalhão após a comunicação judicial. A PM lembrou que a Jovem Fla já estava punida, por dois anos, pelo Juizado Especial do Torcedor e Grandes Eventos.
Relembre o caso
Após o clássico entre Flamengo e Vasco, no Maracanã, na Zona Norte, no último dia 3, torcedores de ambos os times se envolveram em diversas brigas ao redor do estádio.
O eletricista Fabiano Miranda Lopes, de 42 anos, foi surpreendido e agredido por torcedores do Flamengo na Rua Oito de Dezembro, em Vila Isabel, ainda na Zona Norte. O homem chegou a ficar desacordado na via e teve os pertences roubados. Ele morreu depois de ficar quatro dias internada no Hospital Municipal Souza Aguiar, no Centro.
Na mesma noite, o estudante Arthur Cortines Laxe Ferreira da Conceição, de 18 anos, foi atingido no olho por uma bala de borracha disparada por um policial militar. O jovem perdeu a visão ao sofrer danos severos no globo ocular, além de fraturas na região do nariz e da face.
Tricolores denunciados
O Gaedest denunciou, ainda, 11 torcedores da Young Flu por agressão e roubo contra dois vascaínos, crimes ocorridos em abril deste ano.De acordo com a denúncia, os tricolores foram de van até o ponto de concentração, em Laranjeiras, na Zona Sul, de onde sairiam para a cidade de Santos, em São Paulo. Ao avistarem as vítimas, que caminhavam pela calçada e estavam com as camisas do Vasco, desceram do veículo e deram início às agressões.
Os vascaínos foram atingidos com socos e chutes, imagens registradas por câmeras de segurança da região. Veja o vídeo:
Torcedores de uma organizada do Fluminense agridem três vascaínos que pertenceriam à Força Jovem. Agressão ocorreu na noite de sábado (18) nas Laranjeiras
Policiais civis e agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) identificaram a van utilizada pelos integrantes da Young Flu, que foram presos na Rodovia Presidente Dutra, quando o grupo retornava ao Rio após a partida entre Fluminense e Santos, no dia 19 de abril.
As investigações apontaram que alguns dos denunciados participaram de outros episódios de tumulto e violência ligados ao futebol, com confrontos frequentes entre torcidas. O Ministério Público pediu a manutenção da prisão preventiva de parte do grupo e indenização de, pelo menos, 15 salários-mínimos para cada vítima, por danos morais.
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