O animal foi solto em uma reserva ecológica em Barra de Guaratiba, na Zona Oeste da capital. Reprodução
O animal foi solto em uma reserva ecológica em Barra de Guaratiba, na Zona Oeste da capital. Desde março, a capivara estava sob cuidados da Patrulha Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e do Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras), da Estácio Vargem Pequena.
A recuperação foi acompanhada pelo veterinário Jeferson Pires e por uma equipe formada por médicos veterinários, biólogos e estudantes especializados em fauna silvestre.
Segundo Jeferson, o animal chegou à unidade em estado grave, mas conseguiu se recuperar e readquirir condições de viver novamente em liberdade.
“Ela chegou em um estado grave, com um traumatismo craniano e uma lesão ocular grave. A gente conseguiu fazer uma recuperação completa. Infelizmente, o olho não foi possível salvar por causa de uma lesão grave na retina, que impediu que ela voltasse a enxergar. Mesmo assim, ela consegue retornar à vida livre”, explicou o veterinário.
Ainda de acordo com ele, a equipe decidiu que a capivara não poderia voltar para a Ilha do Governador por causa do risco de novos acidentes.
“Ela não poderia retornar para o mesmo local porque existe muito trânsito de veículos e ela poderia ser atropelada justamente do lado que não enxerga. Então escolhemos uma área isolada, uma reserva sem circulação significativa de carros e sem presença constante de pessoas, para que ela tenha condições de viver de forma plena”, afirmou.
O caso ganhou grande repercussão após câmeras de segurança registrarem o momento em que a capivara era perseguida e agredida por um grupo de homens na orla do Quebra Coco, no Jardim Guanabara, durante a madrugada do dia 21 de março.
As imagens mostram o animal caminhando pela rua quando os agressores aparecem armados com pedaços de madeira. Em seguida, a capivara tenta fugir, mas acaba sendo cercada e espancada diversas vezes até cair no chão. Depois das agressões, os suspeitos fugiram do local.
Moradores da região afirmaram que a capivara fazia parte de uma família de animais que circulava pela Ilha do Governador havia anos e convivia pacificamente com os moradores.
Na manhã seguinte ao ataque, o animal ainda foi visto ferido pelas ruas do bairro antes de se abrigar em um terreno baldio. A Patrulha Ambiental foi acionada para realizar a contenção e encaminhar a capivara para atendimento veterinário emergencial.
A Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA) identificou os envolvidos poucas horas após o crime. Seis adultos foram presos e dois adolescentes apreendidos. Depois de terem a prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça, Isaías Melquiades Barros da Silva, José Renato Beserra da Silva, Matheus Henrique Teodosio, Paulo Henrique Souza Santana, Pedro Eduardo Rodrigues e Wagner da Silva Bernardo foram denunciados pelo Ministério Público por crime ambiental e de maus-tratos com emprego de crueldade, caça ilegal, corrupção de menores e associação criminosa. Já os adolescentes foram internados e respondem por infrações análogas.





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