Caso Henry Borel: Tribunal do Júri começa a julgar Jairinho e Monique O menino morreu há 5 anos com sinais de agressão em um apartamento na Barra da Tijuca. No banco dos réus estão o padrasto do garoto, Jairinho, e a mãe da criança, Monique Medeiros. A expectativa é que a sessão dure no mínimo 10 dias, nesta segunda-feira (23).Reginaldo Pimenta/Agência O Dia
Caso Henry Borel: Irmão diz que Monique Medeiros foi treinada para mentir
Bryan Medeiros afirmou no plenário que Jairo e seu advogado na época quiseram sustentar uma narrativa manipuladora após a morte do menino; júri entra na reta final
O sexto dia do julgamento pela morte de Henry Borel, no II Tribunal do Júri do Rio, foi marcado pelo depoimento de Bryan Medeiros da Costa e Silva, irmão de Monique Medeiros. Em um dos momentos mais impactantes da audiência deste sábado (30), ele afirmou diante dos jurados que a irmã teria sido orientada a mentir no início das investigações e responsabilizou a antiga defesa do casal pela construção de uma versão apresentada à polícia logo após a morte da criança. A ideia, segundo ele, de Jairinho e do advogado era de manipular e mentir na narrativa do caso.
"A Monique foi treinada para mentir no primeiro depoimento, e a gente não tinha ideia de que isso seria extremamente prejudicial. Ele não defendeu a Monique, porque modificou a narrativa dos fatos após a morte do Henry" declarou Bryan, ao citar o advogado André França, que à época atuava na defesa de Monique e de Jairinho.
Segundo Bryan, a família foi orientada a reforçar uma versão sobre a madrugada de 8 de março de 2021. De acordo com ele, Monique foi colocada como a primeira pessoa a acordar e encontrar Henry desacordado dentro do apartamento onde morava com o então namorado, o ex-vereador Dr. Jairinho.
" Falar que o Jairo acordou seria extremamente prejudicial. Então colocaram a Monique nessa posição. A missão era disseminar essa narrativa" afirmou.
Ao longo do depoimento, Bryan também disse que nunca viu sinais de agressão em Henry durante as visitas do menino à casa da família, em Bangu. Segundo ele, a criança tinha a pele muito clara e qualquer marca chamaria atenção imediatamente.
" Henry tinha a pele muito branquinha. Se tivesse alguma mancha, ficaria muito destacada" disse aos jurados.
O irmão de Monique contou ainda que recebeu uma ligação de vídeo da irmã durante a madrugada em que Henry morreu. Ao chegar ao hospital, afirmou que viu Leniel Borel, pai do menino, em desespero. Bryan também relatou que Monique nunca comentou com a família sobre suspeitas de agressões contra o filho.
Em outro trecho do depoimento, Bryan afirmou que a irmã relatava episódios de ciúme e comportamento controlador por parte de Jairinho. Segundo ele, Monique dizia que tinha o telefone monitorado durante o relacionamento e que o ex-vereador demonstrava incômodo frequente com a presença de Leniel na rotina do filho.
A testemunha também saiu em defesa da irmã ao comentar uma selfie feita por Monique dentro da delegacia durante a investigação. Bryan afirmou que a imagem foi compartilhada de forma “maldosa” e usada para reforçar a imagem de que ela não demonstrava sofrimento após a morte do filho.
Durante o depoimento, Monique se emocionou em diversos momentos. Sentada ao lado dos advogados, levou a mão ao rosto, chorou e chegou a soluçar enquanto ouvia o irmão falar sobre Henry e sobre a repercussão do caso. Jairinho, por outro lado, permaneceu em silêncio e fez anotações durante parte da oitiva.
O júri popular entrou neste sábado na reta final. Até agora, Bryan foi a testemunha de número 14 das 27 que serão ouvidas no total entre acusação e defesa. A expectativa é que o julgamento avance nos próximos dias e que o conselho de sentença chegue ao veredito até a próxima quinta-feira (4).
Devem ser ouvidos ainda a mãe de Monique Medeiros, Rosângela Medeiros e o perito Leonardo Tauil, que assina os laudos de necrópsia de Henry, produzidos entre março e dezembro de 2021.
Testemunhas a pedido de Monique Medeiros: Rosangela Medeiros da Costa e Silva; Bryan Medeiros da Costa E silva; Thayna de oliveira Ferreira; Glauciane ribeiro Dantas;, Ana Paula Medeiros Pacheco; Ari Mamede e Marcia Eduarda Andrade Vieira;
Testemunhas a pedido da defesa de Jairinho: Jairo Souza Santos (Coronel Jairo) Fernanda Abidu Figueiredo, Leonardo Huber Tauil, Roberto Claure Arena de Souza, Hewdy Lobo Ribeiro, Miriam Santos Rabelo Costa e Cristiane Izidoro
Monique Medeiros e Jairinho são julgados por homicídio triplamente qualificado e tortura. O Ministério Público sustenta que Henry foi submetido a uma sequência de agressões físicas antes de morrer, dentro do apartamento onde morava com a mãe e o padrasto, na Barra da Tijuca, em março de 2021.

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