Rio - A Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) realizaram, nesta quinta-feira (25), a segunda fase da Operação Disclosure, com objetivo de aprofundar as investigações sobre fraudes bilionárias relacionadas às Lojas Americanas. Segundo a PF, o prejuízo chega à R$ 54 bilhões.
Agentes cumpriram nove mandados de busca e apreensão, incluindo buscas pessoais, na cidade do Rio e em São Paulo. A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro determinou o sequestro dos bens e valores em nome dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões.
Segundo as investigações, os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado, que consiste em uma ação na qual a varejista consegue antecipar o pagamento a fornecedores por meio de empréstimo junto aos bancos.
Nas operações de risco sacado, a empresa contraía dívidas com o banco. A dívida, porém, não era informada corretamente pela companhia em seu balanço. De acordo com as investigações, a varejista usava isso como uma maneira artificial de gerar caixa para a operação deficitária da empresa.
Também foram identificadas fraudes envolvendo contratos de Verba de Propaganda Cooperada (VPC), que são incentivos comerciais geralmente utilizados no setor. No caso, VPCs foram contabilizadas sem lastro econômico.
As apurações apontam indícios, em tese, dos crimes de manipulação de mercado e de associação criminosa.
Os alvos da ação foram integrantes importantes na direção da Americanas, como os acionistas de referência Carlos Alberto da Veiga Sicupira, conhecido como Beto Sicupira e Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann, além de Eduardo Saggioro Garcia, conselheiro da empresa.
Policiais também se dirigiram a endereços de executivos de bancos, como José de Castro Araújo Rudge Filho e Gustavo Balassiano, do Itaú; Carlos Henrique Villela Pedras, do Bradesco; André Juaçaba de Almeida e Alexandre Lian Abdo, do Santander.
Prisão de ex-diretores
Na primeira fase da operação, realizada em junho de 2024, as equipes buscaram elucidar a participação de ex-diretores da empresa nas fraudes que, na época, chegavam ao montante de R$ 25,3 bilhões.
Segundo a investigação que resultou na ação, Gutierrez e Anna Saicali (ex-diretora da empresa) teriam vendido mais de R$ 230 milhões - R$ 171,7 milhões e R$ 59,6 milhões, respectivamente - em ações da Americanas antes das fraudes contábeis na empresa se tornarem públicas.
Em nota, a Americanas destacou que não foi alvo de mandado de busca nesta manhã e que a operação se refere à fraude revelada em 2023. A companhia informou que seguirá colaborando com as investigações, sendo a maior interessada no esclarecimento dos fatos.
O Santander ressaltou que está ao lado das partes prejudicadas na apuração das fraudes envolvendo a Americanas e que seguirá colaborando com as autoridades competentes, como faz desde o início das apurações. A instituição reiterou o compromisso com ética, transparência e estrito cumprimento da regulamentação em suas operações.
O Itaú esclareceu que, embora não seja investigado, colabora ativamente com as autoridades desde 2023, prestando todas as informações sobre o caso Americanas. O banco afirmou que sofreu perdas bilionárias com o episódio e que já comprovou a lisura de sua conduta e da atuação de seus funcionários por meio de documentos apresentados à Justiça.
"Os registros deixam claro, por exemplo, que o Itaú recusou pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar cartas de circularização de balanços. A instituição reitera que sempre atuou com rigor ético e regulatório, apoiando e confiando no trabalho das autoridades para a elucidação definitiva das irregularidades praticadas pela antiga administração da varejista", diz o texto.
Já o Bradesco destacou que acompanha o caso e está à disposição das autoridades.
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