Mães de Acari recebem certidão de óbito de vítimas de chacina depois de 36 anosGuilherme Silva / Santuário Cristo Redentor
O ato, organizado pela Associação Mães de Acari, em parceria com o Consórcio Cristo Sustentável, aconteceu na segunda-feira (27). Após a entrega das certidões, um minuto de silêncio e o desligamento da iluminação do monumento ao Cristo Redentor marcou o fim da cerimônia em homenagem às vítimas.
“Não podemos fazer padecer e adoecer vítimas por Justiça. Que essa homenagem nos inspire a construir um Brasil mais justo, onde a memória das Mães de Acari seja sempre um lembrete de que desistir nunca foi uma opção”, afirmou o advogado Carlos Nicodemos, do Projeto Legal.
Crime bárbaro
Em julho de 1990, 11 jovens da Favela de Acari, na Zona Norte, desapareceram após serem sequestrados por agentes do Estado, em um sítio em Suruí, bairro de Magé, na Baixada Fluminense, onde passavam o dia.
As investigações revelaram que os responsáveis pelo crime faziam parte de um grupo de extermínio chamado "Cavalos Corredores", que teria ligação com a Polícia Militar. O caso ficou conhecido nacionalmente pela grave violação dos direitos humanos.
Após a tragédia, chamada de Chacina de Acari, as mães dos desaparecidos começaram uma busca pelos filhos e por justiça, e ficaram conhecidas como Mães de Acari.
Depois de denunciar a participação de agentes do Estado no crime, a líder do movimento Mães de Acari, que buscava justiça pelos jovens, Edmea da Silva Euzébio, foi assassinada ao lado da sobrinha, Sheila da Conceição, em janeiro de 1993.







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