O segurança Davi Santos Machado, de 22 anos, prestou o seu primeiro depoimento, no último dia 17, como testemunha. Na oitiva, ele negou ter presenciado ou participado das agressões. No dia seguinte, voltou à 12ª DP (Copacabana) e confessou o crime. O jovem chegou à delegacia com a bicicleta que estava com Cláudio.
Segurança suspeito de agredir ciclista chega para prestar depoimento com bicicleta da vítima
Imagens analisadas pela investigação mostraram que o veículo havia sido levado após o espancamento por outro homem envolvido no caso.
Em depoimento, uma testemunha contou que o ciclista chegou em um estabelecimento de Copacabana, no dia 11 de agosto, e pediu um cigarro. Como não estava com dinheiro, não recebeu o produto. Pouco tempo depois, Davi apareceu e perguntou sobre a bicicleta.
Cláudio respondeu que não era o dono. A informação levantou suspeitas, embora o veículo pertencesse à irmã dele e não houvesse qualquer confirmação de furto.
Segundo depoimento, Davi pediu que um funcionário guardasse a bicicleta. O veículo foi colocado próximo a galões de água e preso com um cadeado. Após fotografá-lo, o segurança deixou o local. Posteriormente, ele voltou dizendo ter encontrado o proprietário e retirou o cadeado. Cláudio o seguiu na tentativa de recuperar o veículo.
Cinco dias após o crime, o segurança procurou a polícia e prestou depoimento como testemunha. Segundo os investigadores, ele mentiu ao afirmar que não havia visto nem participado das agressões.
Ao retornar à delegacia no dia seguinte, o homem admitiu ter atacado Cláudio com socos, chutes e com um pedaço de madeira. Disse ainda que, em um "ato insano", deu diversos golpes contra a cabeça da vítima e que não sabia explicar o motivo de ter agido daquela maneira.
Davi reconheceu que não havia informação concreta de que a bicicleta tivesse sido furtada. Também afirmou que o ciclista não resistiu à abordagem, obedeceu às ordens do grupo e não pediu socorro.
Nas duas decisões, o juiz Rafael de Almeida Rezende, da Central de Audiência de Custódia da Capital, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio (TJRJ), considerou que os mandados de prisão foram expedidos regularmente e continuam dentro do prazo de validade.
Segundo o magistrado, não houve alteração nas decisões que determinaram as prisões e permanecem válidos os fundamentos apresentados para a decretação da prisão temporária.
O entregador também disse que percebeu que a situação havia saído do controle quando Davi passou a atingir Cláudio com um pedaço de madeira, principalmente na cabeça. Felipe afirmou que deixou o local porque ficou com medo de que o segurança matasse a vítima.
Já Ailton, apontado pela investigação como um dos entregadores envolvidos no espancamento, decidiu permanecer em silêncio durante o depoimento.
Os quatro homens são investigados por homicídio triplamente qualificado, considerando as circunstâncias apontadas pela investigação, como motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.
A Polícia Civil ainda procura um quinto suspeito de envolvimento no ataque e tenta identificar pessoas que teriam visto Cláudio e não o ajudado. Elas podem responder pelo crime de omissão de socorro.