Policiais militares e civis atuam no Complexo de IsraelReprodução/BDRJ

Rio - As Polícias Civil e Militar realizam, nesta terça-feira (25), uma nova operação contra traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP) que atuam no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio. Os alvos são as comunidades Cinco Bocas, Pica-Pau, Cidade Alta, Parada de Lucas e Vigário Geral. Até o momento, três criminosos foram presos. Esse é o terceiro dia seguido de ações das forças de segurança na região. 
Ao todo, agentes da 38ª DP (Brás de Pina) buscam cumprir dezenas de mandados de prisão contra criminosos envolvidos em diferentes delitos.
Na ação, criminosos incendiaram veículos na tentativa de impedir a entrada dos agentes. Imagens que circulam nas redes sociais mostram um blindado da PM improvisando uma tábua para passar em uma vala aberta como barricada em meio a um carro em chamas.


A ação mobiliza equipes dos departamentos-gerais de Polícia Especializada (DGPE), da Capital (DGPC), Baixada (DGPB), Interior (DGPI) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). Pela PM, participam agentes do Comando de Operações Especiais (COE), do 1º Comando de Policiamento de Área (1º CPA), dos batalhões de Policiamento em Vias Expressas (BPVE), Rondas Especiais e Controle de Multidão (Recom) e Tático de Motociclistas (BTM).
Réplica de metralhadoras apreendidas
Segundo a Polícia Militar, equipes do Batalhão de Ações com Cães (BAC) apreenderam, na noite de segunda-feira (24), duas réplicas de metralhadoras ponto 50, além de outras armas falsas e grande quantidade de drogas.

O material foi localizado em um imóvel abandonado na comunidade de Vigário Geral. De acordo com o comando da unidade, as réplicas de metralhadoras .50 Barret M82/M107 eram utilizadas por criminosos para intimidar moradores e pessoas que circulavam pela região, simulando o poder de fogo de armamentos de alto calibre.

No local, os agentes apreenderam ainda uma réplica de rifle de precisão, além de carregadores e silenciadores de armas de airsoft. Também foram encontrados diversos tipos de drogas e materiais utilizados para comercialização.

Segundo estimativa policial, a apreensão representa um prejuízo de aproximadamente R$ 200,8 mil ao crime organizado.

As ações têm como objetivo reduzir a capacidade operacional de criminosos, impedir a circulação de armas e drogas e aumentar a segurança de moradores e trabalhadores das comunidades. Todo o material apreendido foi encaminhado à 38ª DP (Brás de Pina).
Segunda fase da ocupação
No segundo dia de ocupação, que teve início na madrugada de segunda-feira (24), vias expressas no entorno das comunidades chegaram a ser interditadas. Por volta das 9h, criminosos incendiaram quatro caminhões na Avenida Brasil, na altura de Coelho Neto, na Zona Norte, nos dois sentidos. A liberação do local ocorreu apenas no início da tarde após trabalho da Comlurb.
Ainda na ação, equipes do Bope prenderam quatro criminosos após negociação para a rendição em uma área de mata. Ao todo, nove pessoas acabaram presas. Os agentes também apreenderam sete fuzis, três pistolas, quatro granadas, dois rádios transmissores, um colete, munições, carregadores, drogas e roupas camufladas.
Primeira fase
Na última sexta-feira (21), quando a corporação anunciou o começo da ocupação por tempo indeterminado do Complexo de Israel, as equipes atuaram na Cidade Alta, Pica-Pau e Cinco Bocas.
Durante a operação, policiais do Comando de Operações Especiais (COE) removeram seis estruturas instaladas para dificultar o acesso das forças de segurança, desobstruíram duas vias, fecharam três valas e demoliram uma estrutura usada para impedir a circulação dos policiais.

Os agentes também encontraram barricadas equipadas com explosivos, além de veículos que, segundo a PM, estavam preparados para serem detonados com a aproximação dos agentes. Acionadores estavam entre os materiais localizados.

Em meio ao confronto na região, um motorista de ônibus chegou a ser baleado enquanto chegava para trabalhar  na viação Caprichosa, em Parada de Lucas. Ele foi socorrido por outro rodoviário e encaminhado ao Hospital Getúlio Vargas, na Penha, onde passou por cirurgia.
Complexo de Israel
O Complexo de Israel é formado por cinco comunidades: Cidade Alta, Vigário Geral, Parada de Lucas, Cinco Bocas e Pica-pau.

A região leva esse nome por causa do domínio de Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, que é adepto de símbolos de Israel, como a Estrela de Davi. Apontado como líder da facção Terceiro Comando Puro (TCP), ele é um dos criminosos mais procurados do país.

A religiosidade de Peixão é tamanha que ele se auto-intitula como Arão, o profeta de Deus, irmão de Moisés. O nome foi assumido também pela sua quadrilha que se autodenomina 'Tropa do Arão'. Ele também costuma expulsar moradores de suas áreas de influência simplesmente por exercer a religião, determinando a invasão e depredação de centros religiosos dedicados à citada devoção.