Caso é da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF)Divulgação / Polícia Civil

O quarto e último suspeito de envolvimento no assassinato do motorista de aplicativo Gabriel Dias Fernandes, de 31 anos, foi encontrado nesta quinta-feira (8), em Queimados, na Baixada Fluminense. Contra ele, foi cumprido um mandado de busca e apreensão por fato análogo ao crime de homicídio.
O adolescente é investigado por participação no crime, ocorrido em 29 de setembro, quando o grupo teria roubado o celular do trabalhador. Em seguida, a vítima teria sido esfaqueada e incendiada em uma área isolada de Japeri. 
Segundo as investigações, quatro suspeitos solicitaram uma corrida por aplicativo de Japeri para Queimados. Durante o trajeto, eles anunciaram o assalto e levaram o telefone de Gabriel. Em seguida, os criminosos atingiram o motorista com diversas facadas, em uma tentativa de evitar que os envolvidos fossem responsabilizados pelo roubo.

Após o homicídio, os criminosos compraram gasolina, atearam fogo no corpo e o abandonaram em uma região isolada de Japeri. Na sequência, ainda circularam pelas ruas com o carro da vítima até baterem contra o muro de uma residência no bairro Paraíso, em Queimados.

Investigações

Gabriel havia saído para trabalhar e chegou a ser dado como desaparecido pela família. Durante as buscas, o veículo foi encontrado batido no Morro do Coco, em Queimados, antes de o corpo ser localizado.
Na terça-feira (6), equipes policiais localizaram três envolvidos, sendo, um adulto e dois adolescentes.

De acordo com a Polícia Civil, a Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) iniciou as diligências logo após o caso, com apoio de agentes da 63ª DP (Japeri) e da 55ª DP (Queimados). O adulto envolvido teve um mandado de prisão por homicídio cumprido. Os adolescentes foram alvos de mandados de busca e apreensão e de internação provisória, expedidos pela Vara da Infância e Juventude.

As apurações também apontaram que o grupo pode ter participado de outros roubos na região, com características semelhantes. A possível ligação dos investigados com esses casos será analisada em inquéritos separados.

Família relata violência extrema

Nas redes sociais, familiares descreveram a brutalidade do crime e o sofrimento causado pela perda. Segundo uma parente, a violência foi tão intensa que o velório precisou ocorrer com o caixão fechado, impedindo a despedida da forma como a família desejava.

“Gabriel foi vítima de um roubo que terminou da forma mais cruel possível. Segundo as informações que chegaram à nossa família, seis menores de idade participaram do roubo do veículo. Mas não bastou roubar. Tiraram a vida dele com uma crueldade tão grande que eu não consigo — e nem quero — descrever aqui. A violência foi tamanha que nossa família não teve sequer o direito de uma última despedida. O caixão precisou permanecer fechado”, declarou.

A familiar também cobrou responsabilização dos envolvidos e manifestou o desejo de que outras pessoas não enfrentem uma tragédia semelhante.

“Uma vida foi arrancada. Uma família foi destruída pela dor. E tudo o que pedimos é que os responsáveis respondam pelo que fizeram. Por ele. Por nós. Para que nenhuma outra família passe por isso”, acrescentou.

O sepultamento ocorreu no Cemitério de Japeri, em 30 de setembro. Na quarta-feira (7), parentes e amigos participaram de uma missa de sétimo dia em homenagem ao motorista, na Igreja Senhor do Bonfim, no bairro Engenheiro Pedreira, em Japeri.
A reportagem de O DIA não localizou a defesa dos suspeitos. O espaço segue aberto.
*Reportagem da estagiária Aretha Dossares, sob supervisão de Larissa Amaral