Os heróis existem e no Rio estão sempre dispostos a salvar

Hoje não tem dedo na cara. Tem homenagem para eles que são nossos heróis, que não vestem capas, mas fardas, os nossos Bombeiros

Por Isabele Benito

Bombeiros
Bombeiros -
Rio - Hoje não tem dedo na cara. Tem homenagem para eles que são nossos heróis, que não vestem capas, mas fardas, os nossos Bombeiros. O Tenente-coronel Rodrigo Bastos, comandante do Grupamento de Busca e Salvamento (GBS) do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ), que já esteve em Brumadinho, no Haiti e na segunda em Curicica, conversou com a nossa coluna.

1- ENQUANTO A GENTE ACOMPANHA DE LONGE, A SENSAÇÃO É DE ANGÚSTIA. COMO É PARA VOCÊS NAQUELES MOMENTOS DE RESGATE?

O nosso pensamento diante do cenário, por pior que seja, é focar na missão. Somos treinados para adotar as ações de acordo com as características do evento. Recorremos ao conhecimento técnico e à tranquilidade para podermos manter a integridade das vítimas e da nossa equipe. Temos que ter inteligência emocional em alta.

2- DE TODOS QUE VOCÊ JÁ PRESENCIOU ESSE ANO, O QUE MAIS TE MARCOU?

Todos são marcantes na nossa trajetória, mas este último foi bastante, tendo em vista que o local estava muito instável e possuía um vazamento de gás muito intenso. Cada minuto era valioso para o salvamento daquelas pessoas.

3- NO CASO DO MAQUINISTA FORAM MAIS DE SETE HORAS... POR MUITAS VEZES VOCÊS SE ARRISCARAM, FICANDO COM ELE ALI AINDA VIVO SOB O FERRO RETORCIDO. DÁ MEDO? O QUE PASSA NA CABEÇA?

O medo sempre está presente. Pode parecer paradoxal, mas é ele que nos controla e faz com que, nos momentos difíceis, tenhamos bastante discernimento para estarmos fortes e enfrentar qualquer tipo de dificuldade.

Em nossa cabeça só passa salvar aquela vida , tirá-la do cenário de risco em condições mais rápidas e seguras possíveis.

4- NA MUZEMA, ALGUMAS PESSOAS FORAM RETIRADAS COM VIDA DE LUGARES QUASE IMPOSSÍVEIS DE CHEGAR... QUAL A SENSAÇÃO QUANDO ISSO ACONTECE?

É uma sensação inexplicável de missão cumprida, difícil de descrever. Muito boa, contagiante, de alívio. Uma mistura se sentimentos!

5- POR MAIS QUE TENHA TREINAMENTO, QUANDO HÁ CRIANÇA ENVOLVIDA, IMPOSSÍVEL NÃO SE ENVOLVER, NÉ? COMO FOI O ÚLTIMO CASO EM CURICICA...

Vitima é sempre vítima, independente de profissão ou idade, por exemplo. Mas, claro, até pela fragilidade de uma criança, as emoções ficam à flor da pele. Somos bombeiros e somos humanos. E aí, o autocontrole é fundamental.

6- AS TRAGÉDIAS CARIOCAS TRANFORMARAM OS BOMBEIROS DO RIO EM ESPECIALISTAS EM RESGATES COMPLICADOS?

Na verdade, eu diria que fomos capacitados para sermos profissionais de excelência. A população conta com o nosso atendimento e isso é uma responsabilidade que não nos permite "sair do trilho". Claro que, de acordo com a quantidade de atuação em ocorrências das mais diversas e de vulto, vamos acumulando experiência. Posso dizer que somos referência porque prezamos pelo aperfeiçoamento dos nossos militares. E com isso, estamos habilitados para atuar em operações de resgates especiais (desabamentos, deslizamentos, enchentes, entre outras) seja no nosso Estado, em apoio a corporações coirmãs ou fora do Brasil, como no terremoto do Haiti, por exemplo.
PINGO NO I
O susto passou, mãe e filho foram resgatados, mas a gente não pode passar a história sem colocar o dedo na ferida.

Não foi por acaso, o que aconteceu na Comunidade Vila Sapê, em Curicica. Isso é o reflexo da maioria das moradias no Rio de Janeiro.

Da Zona Sul a Zona Oeste, construções irregulares e pessoas morando em um "castelo" de cartas prestes a desabar, infelizmente, é algo comum.

Isso se trata de falta de política de habitação e falta de fiscalização.

As pessoas não moram daquele jeito porque querem, moram porque não tem outra opção, necessitam.

Ali não chega casa, não chega rede de esgoto, educação, segurança, nada.

Então, bora colocar o pingo no i...

Até hoje nenhum governo fez, faz ou vai fazer.

Política de Habitação no Rio de Janeiro e fiscalização é impopular e não rende voto.

Mas o direito a vida tem que ser maior que o da moradia.
TÁ FEIO... MAS PODE FICAR BONITO!
Até o final deste ano, os restaurantes populares devem ser reabertos no Rio de Janeiro. Dos oito existentes na capital, apenas três ainda funcionam.

O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos, já iniciou os processos para a reabertura, com foco que vai além de uma simples alimentação diária.

A promessa é que se invista também em serviços de saúde e capacitação. A secretária Cristina Quaresma, que assumiu a pasta na semana passada, garantiu à nossa coluna que o assunto é de extrema prioridade.

Numa cidade com mais de 1 milhão de desempregados, comer a um preço que cabe no bolso do cidadão faz a diferença.

Para aqueles que trabalham e sobrevivem com um salário mínimo, fazer uma refeição no dia-a-dia já está difícil, imagine pra quem está na penúria de conseguir um emprego, correndo atrás pelas ruas de sol a sol, às vezes só com o dinheiro da passagem.

Dois reais pode não fazer falta pra você, mas enche a barriga de muita gente por aí.

Por isso, se você me perguntou se tá feio ou tá bonito... O tempo não para pra quem tem fome, e tenho dito.

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