O nome era Samuel, sobrenome trabalho

A guerra nas comunidades executa indiretamente famílias inteiras

Por O Dia

O título dessa coluna não é dessa jornalista que te escreve, mas da viúva, Silviana Meneses, ao tentar liberar o corpo do marido. Samuel Meneses, 47 anos, não quis faltar ao emprego... Era o segundo dia de trabalho e para quem estava há meses sem uma oportunidade o medo de ficar desempregado era maior que os tiros que estavam na porta de casa.

O pedreiro não andou muito e um tiro atingiu ele em cheio. Samuel ficou caído no chão batido da favela, onde nasceu e ali morreu. Nos pés, as botas denunciavam anos batendo laje e que já iria se aposentar...

Empolgado com o novo emprego, ele tinha comprado um par de botinas novas e uma calça também... Que não chegou a usar. Dentro de uma sacola de plástico ficou também, caída ao lado do corpo.

Resultado de anos de ausência de tudo... Saiu governo, entrou governo e o tráfico armado até os dentes avançou.

Qualquer avanço da polícia é troca de bala para todos os lados... Mas e Samuel? O que ele tinha a ver com isso? O pedreiro era o que levava sustento para dentro de casa.

Samuca, como era conhecido na igreja, deixa esposa e quatro filhos. A guerra nas comunidades não faz só vítima quem toma o tiro. Executa indiretamente famílias inteiras.

3,2,1... É DEDO NA CARA!

Pingo no I

Situação de abrigo é lastimável - DIVULGAÇÃO

Quem vai para os abrigos da prefeitura não sabe o que é pior: Ficar no local ou continuar pelas calçadas. Segundo os moradores de rua, as condições dos abrigos são precárias! No hotel solidário da Central do Brasil, por exemplo, falta água, lençol para camas, refeições não são servidas e os banheiros estão imundos! Ontem mesmo, até manifestação rolou na porta da prefeitura...

"Não é porque estamos em condição de rua que podemos ser tratados como lixo. Somos seres humanos como qualquer outro",  conta um morador.

Segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, a secretária Tia Ju se reuniu com representantes da ONG responsável pelo Hotel da Central, que se comprometeu a manter o pleno funcionamento da unidade. Ainda informou que os pagamentos estão disponíveis para a ONG.

As refeições estão sendo servidas normalmente e, quanto a água, pelo local se tratar de um espaço cedido pelo Governo do Estado, ligado à SuperVia, quando há alguma manutenção da rede, podem acontecer faltas pontuais, mas o abastecimento está normal.

Bora colocar o Pingo no I...

A gente sempre deve pensar num futuro melhor, mas como alguém pode enxergar uma luz no fim do túnel sobrevivendo nessas condições?

Tá feio!

Natália pagou para vacinar a filha - DIVULGAÇÃO

Sabe a vacina pentavalente? A que está em falta nos postos de saúde de todo o Brasil, desde junho de 2019, e que protege contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e até bactéria?

Pois é... Ela ainda não teve o estoque reabastecido 100%. A gente já cansou de falar sobre o assunto aqui na coluna, mas nunca é demais alertar!

Muitas mães seguem preocupadas por não saberem até quando vão ter os filhos desprotegidos dessa forma...

Natália Pereira, mãe de Helena, de 2 meses, ficou tão apavorada que resolveu não esperar. Tirou do próprio bolso. "A sorte é que nós podemos pagar. Mas e quem não pode? Não é justo!"

E é isso mesmo, tem mãe penando pra conseguir a dose... Quando consegue! A Secretaria de Saúde do Rio diz que recebeu uma remessa do Ministério da Saúde de 66 mil doses da vacina, no último dia 13. Dose mesmo é ficar esperando a boa vontade. Se você me perguntou se tá feio ou tá bonito... Saúde é prioridade. Esse colapso já deu, tem que ter fim e tenho dito.

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