Uma trégua na saudade de quem se separou na pandemia

Jovens que fazem escola da Marinha têm reencontro emocionante com familiares

Por Isabele Benito

Desembarque de Caio e jovens foi emocionante
Desembarque de Caio e jovens foi emocionante -

Para começar a semana, uma história que encheu meu coração de esperança...

Com os aeroportos mais vazios e silenciosos, o burburinho daqueles meninos me chamou atenção. Era ainda madrugada, no gigante aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.

Cerca de quarenta... "Rio de Janeiro, a gente tá chegando!"

"Ai meu Deus, eu nem acredito!", outro respondia.

Dentro do vôo a vontade era de dormir, mas felicidade nunca incomoda, pelo contrário... Deu vida, amor e curiosidade!

Ao meu lado estava Caio, de Nova Iguaçu. A mãe dele não sabia que ele ia chegar. O jovem queria fazer surpresa... Ia vestir a farda na casa de um amigo para poder encontrá-la.

Eu perguntei: Vocês são de onde?

Ele me respondeu: "Todos do Rio, moça. A gente faz escola da Marinha e não vê a família desde janeiro por causa da pandemia."

Quarenta meninos entre 18 e 21 anos, que ficaram todo esse tempo aquartelados, sem sair por risco de contaminação.

No desembarque, a emoção transborda, como você vê na foto.

Pais, mães e no caso do Tiago Almeida de Cosmos, o irmão de cinco anos que não via a hora do abraço!

Vanessa e o marido levaram um cartaz com a seguinte frase: "Não é saudade, Isabele. É medo de tudo isso acontecendo e o filho longe. Agora é não desgrudar dele".

São 30 dias em casa. E depois todos voltam para o Ceará para concluir em dezembro a escola e voltar em definitivo para o tão sonhado Rio de Janeiro.

PINGO NO I

É complicado ser motorista de ônibus no Rio... Pra não dizer outra coisa, hein!

Aqui, quem invade o carro e não paga passagem tem que ser expulso do coletivo pelo motorista. Isso tem que acontecer mesmo! Mas cobrar do motorista quando ele não consegue, é sacanagem. Será que as empresas de ônibus sabem que muitos rodam em áreas de risco?

A coluna recebeu denúncias de motoristas, funcionários da empresa Novacap (que faz trajeto em várias áreas de risco da região metropolitana).

"Se a gente não obrigar quem invade a descer, sai do nosso bolso. É muita covardia isso", conta um motorista que não quis ser identificado por medo de represálias.

Procuramos a Novacap, que informou que a denúncia se trata de um absurdo, pois não procede.

Um outro motorista afirma que eles nunca vão admitir a decisão, porque, inclusive, não podem entrar com os celulares na empresa para que nada seja gravado.

Bora colocar o Pingo no I...

É errado quem invade e mais errado ainda quem cobra do trabalhador exposto ao risco!

TÁ FEIO!

Ficar um dia sem água já é brabo, imagina cinco meses!

Desde que começou a pandemia os moradores do Morro do Dendê, na Ilha, reclamam do abastecimento na comunidade.

Segundo eles, já foram feitas várias reclamações na Cedae, mas resposta e mão na massa pra resolver, até agora, nada!

"A gente não lava roupa, louça... Tomar banho só comprando água mineral, que não é barata", conta Denize Barroso, moradora da Rua Santa Luzia.

Nos tempos em que a gente tanto pede por higiene, água é mais que necessidade!

A coluna procurou a Cedae, que se defendeu, afirmando não ter localizado nenhuma reclamação de falta d'água nos últimos cinco meses para a comunidade. A empresa informou que mesmo assim irá enviar equipes ao local.

Por isso, se você me perguntou se tá feio ou tá bonito... Tem que ver onde está o problema lá e resolver. Tem que botar água na casa do povo. E tenho dito!

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