Na Baixada Fluminense, saraus virtuais para ajudar durante o isolamento social

Além de textos e poesias, participantes podem cantar ou fazer outro tipo de intervenção artística

Por HUGO PERRUSO

Escritor Thiago Kuerques, de Nova Iguaçu, é uma das atrações do sarau
Escritor Thiago Kuerques, de Nova Iguaçu, é uma das atrações do sarau -
Se as pessoas não podem ir para a rua em tempos de isolamento social, a Literatura vai até a casa delas. Saraus online viraram alternativa para quem quer continuar aproveitando eventos culturais, não apenas com leituras, mas também com outras intervenções artísticas.
A Baixada Literária - um coletivo feminino que incentiva a leitura literária nos bairros periféricos de Nova Iguaçu - produzirá nesta sexta-feira o primeiro sarau online pelo Instagram (@baixadaliteraria). Outros eventos como esse serão desenvolvidos nas próximas semanas.

Além de autores da região, até mesmo quem não vive disso pôde se inscrever para ler, recitar, cantar músicas ou fazer alguma intervenção artística. O Sarau Virtual da Baixada Literária terá duração de 2 horas e começará às 18h. O tema será sobre literatura brasileira. Um dos participantes será Thiago Kuerques, morador de Nova Iguaçu. Ele é contista, cronista e já publicou vários livros, entre eles "O Cara Que Não Publicava Livros" (2012) e o poético "Ensaio dos Poemas Pelados" (2013).

"Temos a arte para não morrer da verdade, disse Friedrich Nietzsche. É através dela que a humanidade sobreviveu e ressignificou suas tragédias modernas como as guerras, os atentados, as ditaduras e, por vez, a crise viral. A arte, tanto para os artistas quanto para os leitores, ouvintes e espectadores, é o sopro de vida dentre tantas rupturas", afirmou Thiago, vencedor do Prêmio Baixada na categoria Literatura, em 2017.
Nesta semana, também estreou o Sarau Litere-se. A primeira edição foi em comemoração aos três anos da editora de Queimados, mas estão previstas novas lives do gênero todo sábado às 20h, no Instagram(@litereseeditora), com poemas, histórias contadas e músicas.
"A ideia do sarau surgiu após iniciarmos lives durante essa pandemia divulgando toda semana outros projetos da editora. E o público, que estava acompanhando, começou a pedir saraus online. Já estávamos acostumamos a realizar eventos como esse e feiras Literárias de modo físico. Sentíamos falta desse movimento", explica Perla de Castro, chanceler e editora da Litere-se.
Sarau da Editora Litere-se, em Queimados, antes do isolamento social - Divulgação
Em clima festivo, o primeiro sarau online contou com 18 poetas, e os próximos terão temas específicos, como defesa da cultura, da mulher, representatividade indígena, LGBT.
"Todos nossos projetos da Litere-se costumam ser assim, abrimos espaço para dar voz e vez a todo tipo de arte. E queremos manter essa atividade mesmo após o isolamento social. Vimos a força enorme que essas lives têm de aproximar pessoas. Além disso, faz a roda da cultura girar", completa.

Maior alcance online

Nada substitui o calor humano de um sarau presencial, mas em tempos de covid-19, os eventos online têm sido uma grata surpresa. A principal vantagem, segundo os profissionais de cultura, é o maior alcance de pessoas neste momento complicado.

"Acho super importante eventos online durante a pandemia, principalmente por se tratar de algo aberto a todos os públicos. Ainda mais com o objetivo de aproximar as pessoas do mundo literário, divulgando a Literatura Brasileira, servindo de entretenimento, incentivo à leitura e apresentação de diversos autores e poetas da Baixada Fluminense e do Brasil", afirma Elisângela Medeiros, escritora de livros infantis e contadora de histórias que participou do Sarau Litere-se.

"O que mais me impressionou foi a participação de todos mandando comentários e interagindo durante o evento. Senti o calor do público mesmo online".

Os saraus organizados pela Baixada Literária costumam reunir entre 50 e 70 pessoas, mas a expectativa para o evento online é muito maior. Para Thiago Kuerques, o mais importante no momento é ajudar as pessoas em casa a passar o tempo.

"Enquanto o sarau presencial tem um público específico e concentrado no evento, no virtual a abrangência é maior, talvez mais fragmentada. O público em casa pode assistir mais. Para muita gente o tempo está parado. A arte virtual pode mostrar que ainda estamos vivendo." 

Outras ações

Os saraus virtuais são apenas uma parte de um planejamento para a Baixada Literária e a Editora Litere-se seguirem ativas mesmo com o isolamento social. Com as atividades presenciais paradas, novas formas de interação com o público estão sendo testadas.

Em suas redes sociais, a Baixada Literária tem divulgado vídeos de autores apresentando textos e poesias. Mediadoras e contadoras de história também gravam leituras de livros para seguir ajudando a incentivar as crianças a lerem. Além disso, há contatos por grupos de WhatsApp, também compartilhando conteúdo.

Já a Litere-se tem apostado em lives temáticas, mas segue com a venda e a publicação dos livros. Recentemente, o segundo volume de Veias da Baixada foi lançado, e as inscrições para o Prêmio Mulheres das Letras 2020 estão abertas. Já são mais de 200 inscritas e as melhores serão selecionadas para um livro.

Galeria de Fotos

Escritor Thiago Kuerques, de Nova Iguaçu, é uma das atrações do sarau Ricardo Cassiano
Sarau da Baixada Literária, em Nova Iguaçu, antes do isolamento social Divulgação
Evento da Baixada Literária, em Nova Iguaçu, antes do isolamento social Divulgação
Evento da Editora Litere-se, em Queimados, antes do isolamento social Divulgação
A editora Perla de Castro no Sarau da Editora Litere-se, em Queimados, antes do isolamento social Divulgação
Rio, 21/05/2020 - COVID 19 - CORONAVIRUS - ESPECIAL - Artistas da Baixada. Escritor passa a fazer saral online. Na foto Thiago Kuerques. Via Light. Nova Iguacu, Municipio do Rio. coronavirusrio. Foto: Ricardo Cassiano/Agencia O Dia Ricardo Cassiano/Agencia O Dia

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