Mais de sete milhões de mortes são resultado do uso direto do tabaco, enquanto cerca de 1,2 milhão são de não-fumantes expostos ao fumo passivo - Divulgação/Governo do Estado
Mais de sete milhões de mortes são resultado do uso direto do tabaco, enquanto cerca de 1,2 milhão são de não-fumantes expostos ao fumo passivoDivulgação/Governo do Estado
Por O Dia

Mais de oito milhões de pessoas morrem a cada ano diante do uso do tabaco. A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) aponta que, desses óbitos, mais de sete milhões são resultado do uso direto do tabaco, enquanto cerca de 1,2 milhão são de não-fumantes expostos ao fumo passivo, ou seja, pessoas que convivem diretamente com fumantes. No Estado do Rio, 661 mortes foram registradas de janeiro de 2019 a 3 de novembro de 2020. No mesmo período, 20.153 consultas foram marcadas para pacientes fumantes, a partir dos 15 anos.

Para consientização do mal que o tabaco causa para a saúde, foi criado o Dia Nacional do Não Fumar, celebrado nesta semana. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece, gratuitamente, tratamento para pessoas que desejam parar de fumar. O programa de cessação de tabagismo usa a terapia cognitiva comportamental, gomas e adesivos de nicotina, além de medicamentos. Quando necessário, é realizado por uma equipe multiprofissional, com médicos, enfermeiros, nutricionistas, odontólogos e psicólogos, em sessões estruturadas para ajudar os fumantes a deixarem a dependência.

A aposentada Kátia Valéria Ferreira Abrantes, de 58 anos, foi uma das pessoas que deixaram de fumar graças ao tratamento oferecido no SUS. Ela, que fumou por 38 anos, mora em Paracambi, município da Região Metropolitana do Rio, onde fez o tratamento.

"Minha saúde e o sofrimento que vi uma pessoa querida passar, com câncer de pulmão, me fizeram querer parar de fumar. Fiz o tratamento do SUS, em Paracambi, por três vezes. Na primeira eu não consegui, mas meu esposo, sim. Na segunda, consegui, mas tive um problema sério e, em vez de procurar ajuda, voltei a fumar. Na terceira vez, finalmente, consegui graças ao tratamento", afirma Kátia.

Edna Guilles, de 62 anos, também participou do programa de cessação de tabagismo oferecido pelo SUS. Ela, que está aposentada do cargo de vendedora há três anos, decidiu parar de fumar porque estava com falta de ar e descobriu um problema no coração.

"Há um ano parei de fumar. Durante o tratamento, assisti a três palestras para depois poder pegar a receita e começar a usar o adesivo. Na primeira semana que coloquei o adesivo, decidi não colocar mais o cigarro na minha boca. Foi muito difícil. Tive muita abstinência, fiquei sem sono e com muita fome. Tudo passou e hoje não sinto mais falta de ar nem cansaço", relata Edna.

Segundo a coordenadora de Vigilância e Promoção da Saúde (CVPS) da Secretaria de Estado de Saúde do Rio (SES), Eralda Ferreira, o tabagismo é o fator de risco de maior impacto para a ocorrência de mortalidade prematura, entre 30 e 69 anos, pelas quatro principais doenças crônicas não transmissíveis, como as do aparelho circulatório, câncer, diabetes e respiratórias.

"Essas quatro enfermidades são responsáveis por aproximadamente 40% dos óbitos em idade prematura no estado, cerca de 32 mil casos ao ano. Assim, ao ofertar o tratamento para a cessação do tabagismo em unidade de saúde no estado, podemos estimar a redução dos óbitos de aproximadamente 4.800 indivíduos por ano", explica.

O tabaco é uma das principais causas da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), da neoplasia pulmonar, um tipo de câncer; e dos cânceres de boca e da cavidade oral. O tabagismo aumenta o risco de infarto do miocárdio, AVC, asma, enfisema e amputações em diabéticos.

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